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República do Uzbequistão Verão 2004

Página arquivada em: Generalidades do Uzbequistão, Uzbequistão
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O Uzbequistão situa-se na Ásia Central e tem como capital Tashkent com 2.3 milhões de pessoas. O país tem 24 milhões de habitantes sendo a sua maioria uzbeque que convivem com russos, tajiques e cazaques. Deste total de habitantes possuí 10 milhões de força de trabalho e 62% são população rural.
O idioma para negócios continua a ser o russo mas a língua oficial é o uzbeque falando-se também tajique no Sul do país e Karakalpak na região autónoma de Karakalpakstan. Quase 80% dos seus habitantes são muçulmanos sunitas.

O Uzbequistão tem um Verão muito quente e um Inverno árido frio juntando neve às grandes areias do deserto ainda habitadas por nómadas e camelos. Na altura em que visitei apanhei temperaturas de quanse 45 graus em Bukhara e por volta dos 30 mais no norte em Samarkand e Tashkent.

Samarcanda, Uzbequistão, Ásia Central

Desde 1990 que o Presidente Islam Karimov mantém mão forte nas suas políticas e o protege o seu povo de guerras com os vizinhos países, sendo os habitantes do Uzbequistão muito orgulhosos disso e da sua rica história, sabendo porém que estão privados de muita coisa e que o antigo regime controlador russo ainda não se foi embora de vez. A 1 de Setembro comemoram a sua independencia com grandes celebrações.

O Uzbequistão é 5 vezes maior que Portugal e 6 vezes mais pequeno que o seu vizinho Cazaquistão. Tem uma área total de 447.400km2. O país produz algodão, arroz e outros cereais, seda, bovinos, ovinos, aves, pesca, petróleo, gás natural, carvão, máquinas e equipamentos metalúrgicos.

A minha entrada - Fronteira

A minha entrada no Uzbequistão começou pela fronteira Ghisht Koprik. Porta Norte normalmente usada por trabalhadores, negociantes e também por alguns traficantes com trocas ilegais com o Cazaquistão. Como vinha da cidade Cazaque de Shymkent, apanhei um transporte até a fronteira que levou uma quantas horas, sentia-me já um pouco apagado. Toda a cena de chegada á fronteira foi um pouco demais e mudou-me face à calma que vinha a ter já nas horas de viagem dentro duma Ford Transit 9 lugares. Todas aquelas horas dentro da carrinha desapareceram com o caos que encontrei na fronteira. Tudo à minha volta era novo e cheio de confusão. Esta parece uma ponto com grandes trocas comerciais. Para evitar roubos tive com máxima atenção a tudo, e, como o normal do turista numa situação destas, levei alguns minutos até estar um pouco mais relaxado.

O meu objectivo principal neste dia era conseguir chegar a Tashkent o mais rápido possível pois não queria de maneira nenhuma que anoitecesse antes de eu lá chegar, mas à medida que mais me aproximava do posto de fronteira para me carimbarem a saída do Cazaquistão, mais eu pensava que não ia sair dali muito depressa mesmo sendo manhã. Quando dei por mim tinha pelo menos meia dúzia de polícias fronteiriços a gritarem pelo “português” na sala de alfandega.

Tashkent

Depois de muito trabalho a tentar fazer-me entendido na fronteira para trocar dinheiro para apanhar o autocarro até à capital, lá um taxista me trocou 10 dólares com uma comissão de 50 cêntimos que me levou pelo menos 30 minutos a tentar regatear. Entrei no autocarro mais antigo que encontrei e assim escapei à fome dos taxistas que me queriam levar com eles para a cidade por uma modesta quantia de 10 dólares. Paguei 15 cêntimos pelo autocarro de 1 hora de viagem até ao Bazar de Chorsu, ponto fulcral de para comprar de tudo junto à parte antiga da cidade. Aqueles gajos taxistas só me tentavam robar dinheiro à força toda fazendo-me crer que não havia outro tipo de transporte até Tashkent. Sou mais teimoso que eles.
Dos poucos dias em que podia estar no país escolhi ir até Bukhara e Samarkand. O pessoal na embaixada em Almaty foram muito rígidos e não me quiseram dar as duas semanas de visto como lhes pedi, talvez com medo das ameaças e atentados terroristas feitos por vários grupos de guerrilheiors separatistas existentes no país que mais tarde presenciei em Tashkent com 3 ataques suícidas a algumas embaixadas ocidentais. Bem, assim que cheguei a Tashkent fui logo directo ao Bumi Hotel para ir ter com o meu contacto aqui no Uzbequistão para arranjar um bilhete barato para o Irão. Fiz boas amizades com o Sanjar, o elemento mais novo da companhia de viagens ABDA. Este fez questão de me levar passear com o seu grupo de amigos para as montanhas perto da fronteira com o Kirguistão. Fomos para a zona do lago Charvak, um sítio com bonitas paisagens mas de estranho contacto directo com fábricas abandonadas mesmo a beira do rio Chirchik. Gostei imenso e deu para ter noção de como vive a classe russa que aos fins de semana seam da grande cidade e vão para o campo onde se reunem com a família.

Bukhara

Bukhara é uma pequena cidade com mais de 140 monumentos a visitar. A magia de Bukhoro-i-Sharif (Nobre Bukhara) parece concentrar-se na piscina Lyabi-Hauz reodeada com restaurantes e algumas Medressas do século XIV de grande imponência de mosaicos com elementos decorativos de grande beleza. Nesta praça do século XVII podemos apreciar a Medrassa Nadir Divanbegi e a Madrassa Kukeldashi a maior escola islâmica da época de Abdullah II. Ainda na Lyabi Hauz existe a estátua de Hoja Nasruddin.

Uma visita aos lendários mercados da seda e à feira de tapetas fazem um gostinho aos olhos e ao coração.
Apanhei o lendário comboio Tashkent->Bukhara que foi uma verdadeira aventura e me levou durante 12 horas por mais de 600km. Estava nesta altura a entrar no verdadeiro país pois o meu contacto com a grande capital deu-me um sentido do país que no sul já não iria encontrar.

Bukhara é um sítio a visitar, sem duvida um dos sítios mais interessantes até esta altura de minha viagem. Fiquei apaixonado pelo número de antigas escolas corânicas que ainda estão de pé e muito bem conservadas, agora graças a UNESCO. Esta cidade é um sossego e uma grande oportunidade de realmente estar longe da realidade ocidental onde em tempos juntou o exotismo da Ásia central com o gosto Persa pela arte, onde monumentos como o minarete Kalon de 47metros de altura quase nos leva a data da sua construção em 1127.

Esta cidade é espectacular, no seu sentido histórico é mesmo muito importante e fiquei impressionado com a quantidade de monumentos bem da altura em que a rota da seda ainda estava de pé. Não me lembro de ter me sentido tão bem como me senti aqui. É um sítio especial para visitar e permanecer durante uns tempos, cheio de paz e boa energia. Bukhara ao contrário de Samarkand persiste antiga, sendo a parte nova da cidade um pouco afastada do seu centro histórico, fazendo com que se viva dentro de uma cidade museu tranquila e cheia de pessoas simpáticas.
Bukhara é uma cidade santa para os muçulmanos e foi durante os séculos IX e X que atingiu maior importância. Em 1220 sucumbiu ao poder de Gengis Khan e por fim foi com o Império de Timur que perdeu por completo a sua importância dado ao forte nascer de Samarkanda como centro cultural de toda a zona da Ásia Central.
Fiquei dois dias em Bukhara e para dormir fiquei numa “family bed & breakfast”, que é a maneira de estar em contacto com uma família Uzbek e pagar um pouco menos do que um hotel. Por 10 dólares tem-se um quarto com wc privada e pequeno almoço. Altamente.

Samarkand

Informação de Samarcanda em breve…

O meu TOP 5

1-Mausoleu de Bakhautdin Naqshband (sécs. XIV, XV e XVI) - Aldeia de Kasri Orifon

Mausoleu de Bakhautdin Naqshband (sécs. XIV, XV e XVI) - Aldeia de Kasri Orifon
Importante centro religioso Sufi, onde está enterrado Bakha ud-Din Naqshband, fundador da mais influente ordem Sufi de toda a Ásia Central. Este complexo religioso é formado por várias mesquitas, um minarete torto de 1720 e um tronco de árvore por onde as mulheres grávidas devem passar por baixo para terem boa sorte no parto. Eu não sou mulher nem estou grávido mas como vi outros homens a passarem, fiz questão em copiar. Para chegar aqui apanha-se um mini-bus de Bukhara para fazer 12km de viagem.

2-Praça Registan – Samarkand

Praça Registan – Samarkand
Subida às torres da Madrassa Ulughbek para ter uma vista global da cidade; Esta praça é o símbolo mais emblemático de toda a mística do Rota da Seda e é considerada uma das mais bonitas praças do mundo. Vale muito a pena. Escapei outra vez aos pagamentos pois os polícias que tomam conta da praça fizeram questão em me levar a visitar os edifício e subir à torre de graça, depois de quase 30 minutos de conversa e ter tirado fotos com eles.

3-Minarete e mesquita de Kalon (sécs. XII e XVI) – Bukhara

A mesquita com espaço para mais de 10.000 pessoas e a subida de 47m ao topo do minarete para ter uma vista global dos mais de uma centena de monumentos na cidade. Como fiquei a falar com os rapazes estudantes corânicos que cobravam as entradas, acabei por ter visita guiada e subida ao minarete de graça.

4-Mesquita de Bibi-Khanym (séc. XIV) – Samarkand

Esta mesquita é uma coisa sem palavras. É enorme e foi-me difícil imaginar como seria quando foi construída pois parte do edifício ruíu no terramoto de 1897. Esta mesquita foi mandada construir pela mulher chinesa de Timur que parece que lhe queria fazeer uma surpesa, mas o arquitecto responsável pela obra apaixonousse por ela e disse que só acabava a obra se ela lhe desse um beijo. Timur mandou-o executar e deu ordem para a partir daí todas as mulheres foram obrigadas a usarem véu para não tentarem esse ser fraco de espírito chamado homem.

5-Lago Charvak

Lago 120kms de tashkent perto da fronteira com o Cazaquistão e do Quirguistão. Este sítio é mesmo ao lado do rio Chirchik e tem vista para antigas fábricas de alguma coisa…sei que a sensação é de estra num sítio muito poluído mas na realidade água era mesmo limpa. Este é um sítio de reunião familiar para a classe média russa que foge à agitação da capital de 2.3 milhões de pessoas.


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5 comentários na “República do Uzbequistão Verão 2004”

  1. valderes vieira de souza Says:
    October 29th, 2007 at 2:15 pm

    Desejo conhecer melhor este interessante país da Asia.
    Mandem mais foto e informações,bem como, e-mails para entrar em contato com pessoas deste país.

  2. Laura Says:
    October 29th, 2007 at 2:15 pm

    Caro João,
    Estava a ver o virtualtourist quando dei de caras com o seu post. Tentei contactá-lo a partir daquele site mas não consegui… estou de viagem marcada para o Uzbequistão na próxima semana e gostaria de falar consigo, se possível. Espero que veja esta mensagem e o meu contacto de e-mail em tempo. Entretanto, devo dizer-lhe desde já o quanto invejo a sua experiência de viagens, que pude verificar nos sites com que colabora. Aguardando notícias,
    Laura

  3. madina Says:
    October 29th, 2007 at 2:16 pm

    Ola, so de Cazaquistão, da cidade Shymkent, se estiverem interessados, posso contar sobre a minha terra.

  4. Maria de Fátima Coimbra Says:
    October 29th, 2007 at 2:16 pm

    Como fazer para conseguir visto de turismo, dado a inexistência de embaixada do Uzbequsitao em Portugal?
    Cumprimentos.

  5. Bola De Berlim Says:
    February 11th, 2008 at 9:56 pm

    Se tivessem mais sobre a Eslováquia seria melhor!!!

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