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Colombia, Ecuador e Venezuela: Presidente Chávez e a FARC, Tensão diplomática agrava-se com fecho de fronteiras na América do Sul

Página arquivada em: Notícias

Presidente da Venezuela Hugo ChavezO Presidente da Venezuela, Hugo Chávez, terá oferecido às FARC a possibilidade de comercializar petróleo e gasolina e de realizar e receber contratos estatais nesse país, segundo revela a revista colombiana “Semana” numa edição extraordinária publicada hoje.

Os detalhes da oferta aparecem num dos e-mails encontrados no computador do chefe guerrilheiro morto no sábado passado, Raúl Reyes, e constituiram a matéria de investigação da revista.

As autoridades de Bogotá apreenderam quatro computadores pessoais num acampamento do Equador, bombardeado no sábado pela Força Aérea Colombiana, em que morreram Raúl Reyes, “número dois” e porta-voz internacional das FARC, e cerca de 20 rebeldes.

A oferta venezuelana de negócios aparece detalhada num e-mail sobre um encontro recente com Chávez, que os guerrilheiros Iván Márquez e Rodrigo Granda enviaram no passado dia 8 de Fevereiro ao chefe máximo da organização, Manuel Marulanda Vélez, e aos demais membros do secretariado rebelde.

Márquez, que foi recebido há cinco meses em Caracas por Chávez - para gerir o acordo sobre os reféns das FARC - integra o secretariado do grupo, ao passo que Granda pertence à rede internacional rebelde.

Segundo o documento, Chávez, identificado com o nome de “Anjo”, ofereceu aos emissários “a possibilidade de um negócio” em que a organização receberia “uma quota de petróleo para a comercializar no exterior”, acordo que a guerrilha assume como “muito vantajoso”.

Márquez e Granda escrevem igualmente que foi oferecido às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia “a venda de gasolina na Colômbia ou na Venezuela”, a “possibilidade de adjudicação de contratos estatais (venezuelanos)” e “a criação de uma empresa rentável para investimentos na Venezuela”. O e-mail indica ainda que esta empresa poderia constituir-se com uma parte do “dossier”, termo que, segundo o director da Polícia Nacional da Colômbia, o general Óscar Naranjo, foi adoptado pelos rebeldes para se referirem a uma doação de 300 milhões de dólares que lhes foi prometida por Chávez. Desses 300 milhões - continua o documento - “já estão disponíveis os primeiros 50 e foi elaborado um cronograma para se completarem os 200 [milhões] até ao final do ano”.

Esta aproximação entre Chávez e as FARC, denunciada pelo governo colombiano, colocou este país à beira de uma crise histórica com a Venezuela, mas também com o Equador. Na segunda-feira, Chávez ordenou a expulsão do embaixador colombiano em Caracas, Fernando Marín, e dos seus colaboradores na representação, ao passo que o Presidente do Equador, Rafael Correa, rompeu relações com Bogotá.

05.03.2008 - 12h58, In PUBLICO | Foto Reuters/Palácio de Miraflores

FARC dizem que comandante morto preparava encontro com Sarkozy

FARC encontro com Sarkozy,conflito America do Sul, comandante morto“A guerrilha colombiana revelou que o comandante morto sábado, no Equador, estava a preparar um encontro com o Presidente francês, Nicolas Sarkozy, com vista à libertação da franco-colombiana Ingrid Betancourt.

A informação consta de um comunicado publicado hoje pela Agência Bolivariana de Imprensa (ABP), um órgão próximo das FARC, no qual a guerrilha colombiana adianta que o ataque militar põe em causa a libertação de mais reféns.

O encontro entre Raul Reyes e Sarkozy visava, adianta a nota, “encontrar soluções para resolver a situação de Ingrid Betancourt”, a antiga senadora colombiana sequestrada em 2001 durante a campanha para as presidenciais.

Questionada sobre esta informação, a presidência francesa recusou fazer qualquer comentário.

Na passada sexta-feira – dia em que foram libertados quatro ex-congressistas colombianos em poder da guerrilha – Sarkozy voltou a pedir às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) que entregassem Betancourt. O Presidente francês dizia mesmo estar “disposto” a ir buscá-la à fronteira entre a Colômbia e a Venezuela se tal se revelasse necessário.

Por seu lado, a diplomacia francesa revelou que o Presidente colombiano, Álvaro Uribe, “estava ao corrente” dos contactos com Reyes feitos, quer pela França, quer pela Espanha e Suíça, para conseguir a libertação de Betancourt.

Já ontem, o Presidente equatoriano, Rafael Correa, tinha dito que o Exército colombiano, ao lançar a operação transfronteiriça para abater Reyes, travou a libertação de mais reféns. Segundo o responsável, as negociações para a libertação de 11 reféns, incluindo Betancourt” estavam “muito avançadas” mas foram frustradas pelo ataque.

No comunicado, a guerrilha colombiana dirige-se “aos Presidentes Hugo Chavez, Nicolas Sarkozy, Rafael Correa, Daniel Ortega, Cristina Kirchner e Evo Morales, a todos os governos amigos e às famílias dos prisioneiros” para “continuarem a lutar pela desmilitarização” das duas zonas onde a guerrilha pretende proceder à troca de reféns.

A liderança das FARC anuncia ainda que Reyes será substituído pelo “comandante Joaquín Gomez” no secretariado da guerrilha, organismo que chefia a guerrilha e integra sete elementos.

A morte do “número dois da guerrilha”, numa operação que matou outros 17 guerrilheiros, está a provocar uma crise regional sem precedentes nos últimos anos, com a Venezuela e o Equador a enviarem tropas para a fronteira com a Colômbia, a quem acusam de desrespeito pela integridade territorial dos países vizinhos.

Na resposta, o Presidente colombiano acusou as duas capitais vizinhas de ligações à guerrilha marxista, tendo mesmo acusado o seu homólogo colombiano de financiar as FARC em 300 milhões de dólares.

04.03.2008 - 18h46 Agências, In PUBLICO | Foto Eliana Aponte/Reuters

Presidente colombiano quer levar Hugo Chávez ao TPI por “financiamento de genocídio”

O Presidente colombiano Alvaro Uribe anunciou hoje que pretende levar diante do Tribunal Penal Internacional de Haia o seu homólogo venezuelano, Hugo Chávez, por “financiamento de genocídio”.

“O nosso embaixador nas Nações Unidas vai anunciar que a Colômbia tem a intenção de denunciar perante o Tribunal Penal Internacional Hugo Chávez, o Presidente da Venezuela, por patrocínio e financiamento de genocídio”, declarou o Presidente colombiano a um grupo de jornalistas.

Entretanto, as autoridades venezuelanas decidiram fechar a fronteira com a Colômbia, anunciou o ministro venezuelano da Agricultura, Elias Jaua, à cadeia de televisão colombiana Caracol. “Tomámos algumas medidas, como o fecho da fronteira”, declarou Jaua, interrogado a propósito da crise diplomática que opõe a Colômbia à Venezuela e ao Equador (ambos de inspiração “bolivariana”).”

04.03.2008 - 15h16 AFP, In PUBLICO

FARC prestes a comprar material radioactivo, diz o vice-presidente colombiano

FARC material radioativo, conflito venezuela colombiaA guerrilha colombiana das FARC “está prestes a negociar a compra de material radioactivo, necessário à fabricação de armas sujas de destruição e de terrorismo”, declarou hoje em Genebra o vice-presidente colombiano, Francisco Santos Calderón.

O vice-presidente colombiano lançou estas acusações na Conferência do Desarmamento da ONU, reunida em Genebra, citando os primeiros resultados da investigação policial aos computadores de Raúl Reyes, o número dois das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) e seu porta-voz internacional, morto durante um “raid” militar em território equatoriano.

“Esta informação, que está actualmente sujeita a um rigoroso procedimento de verificação, com ajuda internacional, mostra que graças ao poder económico que conseguem através do tráfico de droga, os grupos terroristas constituem uma grave ameaça não apenas para o nosso país mas para a região andina e para a América Latina”, afirmou Calderon.

Paralelamente, o director da polícia colombiana, o general Oscar Naranjo, afirmou segunda-feira em Bogotá que, de acordo com os primeiros dados informáticos retirados do computador de Raul Reyes, a guerrilha terá já adquirido 50 quilos de urânio. Para o general Naranjo, isso demonstra que a organização aspira ao “terrorismo internacional”.

De maneira geral, “segundo os serviços de espionagem do Estado colombiano, 80 por cento das armas que entram ilegalmente na Colômbia destinam-se aos grupos armados ilegais e os 20 por cento restantes à delinquência comum”, explicou o vice-presidente colombiano.

Estas declarações de Francisco Santos Calderón vêm a público depois de ontem Bogotá ter acusado os líderes venezuelano e equatoriano (ambos de inspiração “bolivariana”) de manterem ligações com as FARC. Ontem, o comandante da polícia da Colômbia anunciou que documentos encontrados no acampamento onde no sábado foi morto Raúl Reyes comprovam que Hugo Chávez deu 300 milhões de dólares à guerrilha e que o líder do Equador, Rafael Correa, é “conivente” com o grupo.

In PUBLICO | Foto Daniel Muñoz/Reuters


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