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Eleições na Malásia, as eleições mais importantes da história da Malásia

Página arquivada em: Notícias

08.03.2008 - 10h26 Francisca Gorjão Henriques | In PUBLICO | Foto Bazuki Muhammad/Reuters

Dos 13 estados da Malásia, só um não é controlado pela Frente Nacional (Barisan Nasional, BN)Alguns analistas chamam-lhe a eleição mais importante dos últimos 51 anos - os mesmos que a Malásia leva de independência da coroa britânica. Ainda assim, os objectivos da oposição parecem à primeira vista modestos: enfraquecer a Frente Nacional, no poder, e impedir que tenha uma maioria de dois terços. Já o Governo pretende retirar ao partido islâmico a única província do país onde a sharia impera. O que faz, então, das legislativas de hoje um acontecimento crucial?

Não há liberdade de expressão, não há igualdade, não há comida nas mesas. Há um sentimento de que os conflitos étnicos se avolumam, há um Governo envolto em escândalos de corrupção e uma coligação que fará tudo para não perder deputados.

“Independentemente das opções do eleitorado, estas eleições terão provavelmente um impacto dramático e duradouro”, escrevia esta semana o Asia Times on-line. Se o partido no poder tiver os seus dois terços, “o povo terá enviado a mensagem de que a injustiça, o autoritarismo e uma cultura política medíocre ainda são aceitáveis. Também irá relegar a oposição à irrelevância política”.

Mas também nunca como agora a oposição, reunida desta vez para evitar dispersões, tem tantas hipóteses de ser uma pedra no sapato da Frente Nacional (Barisan Nasional, BN), a coligação liderada pela Organização Nacional de Unidade Malaia (UMNO), que tem 200 dos 219 assentos do Parlamento. Basta acabar com a maioria de dois terços que desde 1969 tem permitido à BN mudar a Constituição a seu bel-prazer para que a oposição possa clamar vitória.

Este é o cenário que tem sido traçado do país que vai hoje a votos - que devem ser fraudulentos, alertou a Human Rights Watch (HRW). “Uma vez mais, as eleições na Malásia serão grosseiramente injustas”, afirmou Elaine Pearson, vice-directora do programa asiático desta organização de direitos humanos. “A coligação no poder está demasiado confortável com o status quo para permitir reformas que elevassem o nível do jogo.”

Alguns eleitores nos distritos onde se espera que a votação seja mais renhida descobriram que o local de voto foi afastado da residência. Há 9000 eleitores com mais de 100 anos, e dois com 128. E o Governo abdicou da tinta indelével que ajudaria a evitar que uma pessoa votasse duas vezes, sem dar justificações.

O combate religioso

Há outro combate que pode ainda resultar numa derrota para o primeiro-ministro Abdullah Ahman Badawi. E este trava-se na frente religiosa.

Dos 13 estados da Malásia, só um não é controlado pelo BN. Em Kelantan as mulheres e os homens têm filas separadas no supermercado, desde que o Partido Islâmico Pan-Malaio (PAS) está no poder local (1990). Agora, o BN quer o estado de volta, segundo a BBC on-line. “E ambos os lados estão a mudar de estratégias.”

O PAS começou a deixar cair as garantias de que iria introduzir um executivo teocrático para se concentrar nas reformas do sistema de saúde, na igualdade étnica e na luta contra a subida dos preços. O BN, por seu lado, ofereceu-se para construir mesquitas.

Há quem se preocupe com o domínio crescente do islão, num país onde a maioria são malaios muçulmanos, mas 35 por cento são de etnia chinesa e indiana, fiéis ao budismo, cristianismo ou hinduísmo.

Christopher Savaraimuth é um electricista de 47 anos de etnia indiana. Explicou à BBC on-line: “Comparo os indianos aqui a cães que recebem os restos de uma mesa cheia de grandes empresários chineses e malaios. Quando pedimos uma fatia maior do bolo da economia, dizem-nos que temos que nos dar por satisfeitos por estarmos ali.” Diz que há discriminação para arranjar emprego, ou pedir um empréstimo. Vai votar na oposição: “Acredito que desta vez temos uma oportunidade de ouro.


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