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Página arquivada em: Notícias 07.03.2008 - 19h52 Agências | In PUBLICO | Foto Jamil Bittar/Reuters
“O Presidente do Equador, Rafael Correa, acusou hoje o homólogo colombiano, Alvaro Uribe, de “falsidades” ao afirmar que as autoridades equatorianas têm ligações com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC).
“Não posso aceitar as falsidades de Uribe”, afirmou Correa, recusando que tenha “as mãos manchadas de sangue”. “Rejeito essa infâmia segundo a qual o meu Governo colabora com as FARC”, continuou o chefe de Estado equatoriano dirigindo-se ao Presidente da Colômbia.
A indignação de Correa foi manifestada à margem da XX Cimeira de chefes de Estado e de Governo do Grupo do Rio, que reúne em Santo Domingo 20 países da América Latina e Caraíbas, um encontro que se realiza em plena crise entre os dois países, após um ataque colombiano lançado em território equatoriano contra as FARC.
Correa insistiu que “nada justifica a agressão” e que o Equador “aguarda uma condenação” da Colômbia, a cujo Governo exige que não volte a violar a soberania de um país. “Empenhai-vos em nunca mais agredirem um país irmão e parem com as vossas mentiras”, continuou, dirigindo-se a Uribe. O Presidente do Equador defendeu ainda a formação de uma força internacional na fronteira com a Colômbia, que acusa de “não poder ou não saber controlar com as suas políticas militaristas”.
Na sua intervenção na cimeira, o Presidente Uribe reconheceu que não informou o Equador da incursão do seu Exército. Porém, justificou o ataque no qual foi morto o “número dois “ das FARC, Raul Reyes, e 20 outros guerrilheiros.
“Não tivemos a cooperação do Presidente Correa em matéria de luta contra o terrorismo”, argumentou Uribe, indicando que as suas tropas encontraram, após o ataque à guerrilha, documentos que provam a ligação entre as FARC e o Governo equatoriano. Numa das cartas, Uribe alega que o “Presidente Correa manifesta vontade em reunir-se” com o líder das FARC, Manuel Marulanda, na companhia do Presidente venezuelano, Hugo Chavez.
Em declarações anteriores, o chefe de Estado do Equador já tinha afirmado que Uribe sempre soube que os contactos entre as autoridades do Equador e as FARC tinham como objectivo conseguir a libertação de reféns nas mãos dos guerrilheiros, recusando que esses contactos tivessem intenções políticas ou fossem de apoio à guerrilha.
Antes da cimeira do Grupo do Rio, a frente política contra a Colômbia esteve centrada na Nicarágua, país dirigido por Daniel Ortega, que rompeu as relações diplomáticas com Bogotá. Equador e Venezuela, que também suspenderam as suas relações com a Colômbia, reforçaram, por sua vez, a presença militar na fronteira colombiana.
Ortega propôs a criação de um grupo de países com a missão de conseguir um cenário de paz na Colômbia, onde as FARC combatem as forças governamentais há 48 anos. Ortega pediu ainda uma “troca humanitária” de reféns da guerrilha, entre quais a antiga senadora colombiana sequestrada em 2001, Ingrid Betancourt, e 500 guerrilheiros sob prisão.
No momento em que decorria a cimeira, as autoridades colombianas anunciaram que as suas tropas abateram Ivan Rios, de seu verdadeiro nome Manuel Munoz Ortiz, um novo membro da direcção das FARC e alvo de um pedido de extradição pelos Estados Unidos.
Rios foi morto pelas tropas numa zona rural do município de Samana, 400 quilómetros a oeste de Bogotá, avançou o gabinete do procurador-geral da Colômbia. O líder guerrilheiro, que se juntou às FARC na década de 80, era um dos comandantes mais jovens do grupo rebelde e dirigia, desde 2004, o bloco central da guerrilha, que conta com 1200 combatentes.“
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