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Eleições em Espanha, PSOE tenta mobilizar os eleitores, para travar a abstenção, que é a aposta do PP

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09.03.2008 - 09h08 Nuno Ribeiro, em Madrid | In PUBLICO | Foto Andrea Comas/Reuters

Os socialistas não querem cair no triunfalismo e os populares pretendem evitar a desilusãoOs dois debates televisivos de José Luís Rodriguez Zapatero e Mariano Rajoy marcaram a campanha. Hoje, os espanhóis vão às urnas com a novidade de, por duas vezes, terem ouvido os dois principais candidatos à presidência do Governo, e com uma triste certeza: a ETA continua a querer influenciar a vida política.

O assassinato do antigo vereador socialista basco Isaías Carrasco levou à suspensão, na sexta-feira, dos últimos comícios. O dolo e o recolhimento ocuparam o lugar dos últimos apelos ao voto. A entrada em campo dos etarras fechou uma campanha que já estava esgotada.

Depois do último debate televisivo, na segunda-feira, os estados-maiores do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) e PP (Partido Popular) traçaram a estratégia. Os socialistas, depois de verem Zapatero ganhar os dois confrontos com Rajoy, tentaram travar a euforia. No último comício, no Palau Saint Jordi, em Barcelona, o candidato socialista teve um autêntico banho de multidão.

Actuando com Felipe González como chamariz adicional, Rodriguez Zapatero superou a prova em terra adversa, depois dos problemas de infra-estruturas dos últimos meses na capital da Catalunha e que foram imputados ao seu executivo. Mesmo confortado por dezenas de milhares de militantes, entre os quais os do tradicional “cinturão vermelho” de Barcelona, o líder do PSOE foi peremptório: há que refrear o optimismo e continuar a mobilização.

Foi este o desafio permanente para os socialistas: manter o apelo ao voto útil, garantir que a mensagem chegue aos novos 1,7 milhões de jovens eleitores e continuar com a pressão sobre os conservadores.

Do lado do PP, a campanha foi cortada após Mariano Rajoy ter enchido a praça de touros de Valência. Nesta Comunidade governada pelos populares, as sondagens auguram-lhe uma subida considerável. Formalmente, o PP deu Rajoy como triunfador nos frente-a-frentes com Zapatero, mas as sondagens e a maioria dos comentadores não foram clementes.

Por outro lado, no confronto técnico entre o ministro da Economia, Pedro Solbes, e o especialista do PP, Manuel Pizarro, impôs-se a experiência do ministro ao voluntarismo do empresário, antigo presidente da Endesa, que Rajoy fez estrela da campanha. Aliás, foi neste debate sobre a economia que os populares sofreram o mais inesperado desaire. Não só pelo tema, que à partida favorecia a oposição, mas também pelo medíocre desempenho de Pizarro.

Os populares, nos últimos dias, optaram por travar o desânimo que se instalara nas suas alas. A publicação, em Londres, de sondagens que não podem ser divulgadas em Espanha, devido aos calendários impostos pela lei, foi outra peça desta estratégia. Os inquéritos colocam o PSOE à frente - como em todas -, mas apenas com uma margem de 2,8 por cento. Tal desvantagem, asseguram os conservadores, pode ser anulada se o triunfalismo socialista levar à abstenção da esquerda. Ou se o eleitor volátil não optar pelo voto útil. Garantida a máxima fidelidade da sua base eleitoral de dez milhões de votos, os populares esperam, assim, pelos erros dos socialistas.

O último suspiro da campanha ficou marcado por um atentado da ETA. Apesar do alerta máximo das autoridades, em Espanha e França, da montagem de espectaculares sistemas de segurança para as infra-estruturas, os etarras conseguiram matar. Com um tiro pelas costas atingiram um antigo vereador socialista, que andava há tempos sem segurança. Esta morte levou à suspensão da campanha e à substituição dos slogans partidários por gritos a favor da unidade contra o terrorismo.


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