Rússia alerta que Geórgia perderá Abkházia e Ossétia do Sul com adesão à NATO


11.03.2008 – 17h25 AFP | In PUBLICO | Foto David Mdzinarishvili/Reuters
“A Geórgia arrisca-se a perder os seus dois territórios rebeldes, a Abkházia e a Ossétia do Sul, se der um novo passo para uma adesão à NATO, alertou hoje o embaixador russo na Organização do Tratado do Atlântico Norte, Dmitri Rogozin.
“Em caso de um convite da NATO à Geórgia, sob o impulso dos Estados Unidos, poderemos esperar a separação da Abkházia e da Ossétia do Sul”, disse o diplomata em declarações à AFP. Dmitri Rogozin sublinha que “o referendo organizado em Dezembro do ano passado por [Presidente georgiano Mikheil]) Saakachvili” sobre a adesão da Geórgia à NATO “realizou-se em todo o território georgiano, mas não na Abkházia e na Ossétia do Sul”.
Para o embaixador russo, se a NATO aceitar durante a sua próxima cimeira em Bucareste (Hungria) de 2 a 4 de Abril, que a Geórgia participe no Plano de Acção para a Adesão (MAP) “será o suficiente para que os separatistas sigam até à secessão”. “E não se trata apenas do MAP, mas do conjunto do processo que levará à entrada da Geórgia na NATO”, advertiu Rogozin.
O diplomata admite que esta é uma questão que preocupa Moscovo, porque se passa próximos das fronteiras russas. “Muitos dos nossos cidadãos do Cáucaso do Norte têm ligações com a Ossétia do Sul e a Abkházia”, acrescentou.
O embaixador afirma que “este é um processo muito perigoso porque poderá ‘reaquecer’ o conflito”, considerado num impasse desde que os dois territórios se separaram de facto da Geórgia em 1991.
“A NATO deve compreender que Saakachvili pretende integrar a NATO para a implicar no conflito. Aí está o problema”, continuou o representante de Moscovo na Aliança Atlântica, reconhecendo que a Rússia não tem “direito de veto sobre o alargamento da NATO”, mas tem “autoridade moral e política”, bem como os próprios “interesses internacionais”.
“Este alargamento é um grande problema. Haverá um conflito de interesse entre a Rússia e os Estados Unidos”, sublinhou ainda o diplomata, que assumiu o cargo de embaixador russo na NATO em Janeiro com uma reputação bem estabelecida de partidário da linha dura e de nacionalista. Rogozin considerou ainda que “o número de cépticos na classe política russa quanto à independência da Abkházia e da Ossétia do Sul vai diminuir se a Geórgia se aproximar ainda mais da NATO”.
“A posição da Rússia é a de não ter problemas nas suas fronteiras”, sublinhou, lembrando que a Duma, a câmara baixa do Parlamento russo, deve debater esta semana a questão dos dois territórios.“
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