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Página arquivada em: Notícias 12.03.2008 - 17h07 AFP | In PUBLICO | Foto Radu Sigheti/Reuters
“Um padre católico ruandês foi hoje condenado, em segunda instância, a prisão perpétua por incitação ao genocídio e por participação directa na morte de 1500 tutsis que se tinham refugiado na sua igreja, durante a campanha genocida que varreu o país em 1994.
Athanase Seromba, pároco da cidade de Nyange, recorreu da pena de 15 anos a que fora condenado em primeira instância por “ajuda e encorajamento” ao genocídio. No entanto, a instância de recurso do Tribunal Penal Internacional para o Ruanda (TPI-R) concluiu que o envolvimento do pároco foi maior do que o inicialmente assumido.
“O colectivo anula por unanimidade a pena de 15 anos e impõe, por maioria, a prisão perpétua”, segundo o acórdão divulgado hoje por aquele tribunal das Nações Unidas, sediado em Arusha, na vizinha Tanzânia.
Seromba, que fora o primeiro padre acusado do crime de genocídio, acabou por ser condenado pelo mais gravoso dos crimes previstos pela lei internacional, e ainda por crimes contra a humanidade. A condenação ameaça relançar a polémica sobre o papel pelas várias igrejas presentes no país, em especial a católica, no genocídio ruandês.
Segundo a acusação, Seromba, um hutu hoje com 45 anos, terá acatado as ordens das autoridades locais para demolir a igreja, onde se encontravam refugiados cerca 1500 tutsis, comunidade minoritária, mas que durante décadas assumiu o poder no país.
Os “bulldozers” avançaram sobre o templo no dia 16 de Abril, esmagando os ocupantes e, segundo a acusação, o pároco terá dado instruções às milícias hutus para abater os possíveis sobreviventes. O colectivo deu ainda como provado que o pároco deu instruções ao condutor de um “bulldozer” para atacar a igreja pela vertente que seria mais frágil.
Segundo dados das Nações Unidas, 800 mil tutsis e moderados hutus foram mortos entre Abril e Julho de 1994, tendo a matança só parado depois que os rebeldes tutsis tomaram o poder em Kigali.
Seromba acompanhou os milhares de hutus que nos meses seguintes procuraram refúgio em países vizinhos, tendo depois conseguido asilo em Itália, tendo chegado a mesmo a exercer numa paróquia da Toscânia. Alvo de um mandado de captura internacional, que Itália executar, o pároco viria a entregar-se ao TPI-R em 2002, mas alegou sempre inocência.“
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