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Página arquivada em: Notícias 19.03.2008 - 22h32 Ana Fonseca Pereira | In PUBLICO
O Presidente norte-americano acredita que, cinco anos após a invasão do Iraque, a decisão de derrubar Saddam Hussein “foi justa” e que a estratégia posta em prática no último ano “abriu a porta a uma vitória estratégica na guerra contra o terrorismo”. George W. Bush Avisa, por isso, que uma retirada militar precipitada põe em causa não só o futuro do Iraque como a segurança dos EUA.
“A batalha no Iraque tem sido mais longa e mais dispendiosa do que previmos”, declarou, num discurso, ontem, no Pentágono para assinalar o quinto aniversário da invasão do Iraque. Na aguardada intervenção, Bush disse compreender os que perguntam “se esta guerra mereceu ser combatida e se o combate merece ser ganho ou pode ser vencido”, mas mostrou-se inabalável nas suas convicções: “Para mim as respostas são claras. Derrubar Saddam foi uma decisão justa e esta é um combate que a América pode e deve vencer”.
O tom entusiástico da declaração – que o Guardian comparou à declaração de vitória proferida a bordo de um navio de guerra, em Maio de 2003 – contrastou com o discurso do ano passado quando, no auge da violência sectária, pedia tempo para que o reforço de 30 mil soldados recém-chegados ao Iraque começasse a ter resultados práticos.
“Há pouco mais de um ano, o combate no Iraque vacilava”, a violência poderia atingir “níveis de genocídio”, por isso, “revimos a nossa estratégia e mudámos o curso” da situação, ainda que com “grandes custos em vidas humanas e fundos”, recordou. “O sucesso a que assistimos no Iraque é inegável”.
Mas a nova política “fez mais do que dar a volta à situação no Iraque – abriu a porta a uma importante vitória estratégica na mais vasta guerra contra o terrorismo”. O país “tornou-se no lugar onde os árabes se juntaram aos americanos para expulsar a Al-Qaeda”, afirmou, numa referência às alianças firmadas com várias tribos sunitas para combater grupos terroristas nas províncias onde estes se refugiavam. “Estamos a assistir ao primeiro grande levantamento árabe contra Osama bin Laden e a sua repugnante ideologia”.
A menos de um ano de deixar a Casa Branca e perante o reduzido apoio popular ao esforço de guerra, Bush deu a entender que não aprovará o repatriamento de mais soldados além dos que estão já agendados e criticou, sem nomear, a retirada militar rápida defendida pelos dois candidatos democratas. “Se permitirmos que os nossos inimigos vençam”, “a violência agora em declínio voltará acelerar”, o Iraque “caminhará para o caos” e “a Al-Qaeda reconquistará os seus santuários”.
Neste cenário, a rede terrorista “surgiria encorajada” e “com ainda mais determinação para dominar a região e atacar a América” e, caso se apoderasse dos recursos petrolíferos do Iraque, “poderia dar azo às suas ambições de adquirir armas de destruição maciça”, “encorajando também o Irão”. “Tendo chegado tão longe e tendo conseguido tanto, não vamos deixar que isso aconteça”, sublinhou, argumentando que “o actual desafio passa por consolidar os ganhos conquistados”.
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