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Página arquivada em: Notícias 24.03.2008 - 15h22 PÚBLICO, Agências | in PUBLICO | Foto Nikos Vihos/Reuters
O secretário-geral da organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF), um dos três activistas que esta manhã perturbaram a cerimónia em que foi acesa a chama olímpica, na Grécia, prometeu continuar as acções de protesto contra violação dos direitos humanos na China “até 8 de Agosto”, dia da inauguração dos Jogos.
Os três manifestantes conseguiram perturbar a cerimónia realizada em Olímpia, local onde decorriam dos jogos na antiguidade, aproximando-se da tribuna no momento discursava o presidente da comissão organizadora das olimpíadas de Pequim, Liu Qi. Antes de ser detido pela polícia grega, um dos activistas teve ainda tempo de desfraldar uma bandeira negra dos RSF, com algemas no lugar dos cinco anéis olímpicos e a inscrição “Boicotem o país que espezinha os direitos humanos”. Outro aproximou-se da tribuna, interrompendo o discurso do dirigente chinês gritando: “Liberdade, liberdade”.
“O nosso objectivo é que os chefes de Estado estrangeiros boicotem a cerimónia de abertura dos Jogos. Não temos nada contra os jogos Olímpicos, nada contra os atletas”, explicou Robert Ménard, responsável da organização de defesa da liberdade de imprensa, recordando que “a China é a maior prisão do mundo”.
Depois de o presidente do Comité Olímpico Internacional (COI), Jacques Rogge, e o Governo grego terem lamentado os incidentes, a organização francesa emitiu um comunicado sublinhando que “a chama olímpica pode ser sagrada, mas os direitos humanos são mais”. “Não podemos deixar que o Governo chinês leve a chama olímpica, um símbolo de paz, sem denunciar a dramática situação dos direitos humanos no país, a menos de cinco meses do início dos jogos”.
Os RSF entendem que o tratamento dado pelas autoridades chinesas “aos que se expressam livremente”, “a censura imposta à imprensa” e o “bloqueio noticioso ao Tibete” justificam esta acção. “Devemos usar todos os meios para condenar estas violações das liberdades básicas na China”, acrescenta o comunicado, lembrando “os cerca de cem jornalistas, utilizadores de Internet e ciber-dissidentes que se encontram detidos por expressarem de forma pacífica as suas opiniões”.
Em declarações à AFP, Ménard garantiu ter sido “muito bem tratado” pela polícia grega durante a breve detenção e disse não saber ainda se será acusado por qualquer infracção.
Além dos três representantes dos RSF, a polícia deteve na mesma altura uma cidadã suíça de origem tibetana que conseguiu infiltrar-se na cerimónia, depois de ter participado numa pequena manifestação nas ruas de Olímpia. Outras quatro pessoas foram detidas durante esta acção, entre elas um cidadão japonês que se encontrava na posse de uma navalha. Todos foram libertados horas depois.
Em Olímpia, berço dos Jogos Olímpicos há 2800 anos, 22 mulheres vestidas com túnicas brancas de sacerdotisas entraram nas ruínas do templo de Hera ao ritmo de tambores e acenderam a chama, com a ajuda dos raios de sol e de um espelho côncavo.
O atleta grego de taekwondo Alexandros Nikolaidis, medalha de prata nos JO de 2004, fez o arranque da corrida de seis dias com a chama olímpica, até que ela seja entregue às autoridades chinesas, no dia 30 de Março. Em Agosto, a chama chegará finalmente a Pequim.
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