Guerra no Iraque: Primeiro-ministro iraquiano dá prazo de 72 horas aos milicianos de al-Sadr para deporem as armas


26.03.2008 – 12h12 | in PUBLICO | Foto Mushtaq Muhammed/Reuters
O primeiro-ministro iraquiano lançou um ultimato aos milicianos de Moqtada al-Sadr, após mais de 24 horas de combates entre o Exército iraquiano e os rebeldes. Nuri al-Maliki deu 72 horas aos apoiantes de al-Sadr para deporem as armas. Se os milicianos não respeitarem o acordo, ser-lhes-ão aplicados “graves castigos”, indicou o primeiro-ministro numa mensagem transmitida pela televisão.
“Aqueles que foram enganados, no sentido de empunharem armas, deverão render-se e comprometer-se por escrito no sentido de não voltarem a fazê-lo”, disse o primeiro-ministro numa mensagem transmitida pela televisão estatal.
Maliki ordenou o início de uma ofensiva contra Moqtada al-Sadr, em Bassorá, na madrugada de segunda-feira, a fim de “restabelecer a segurança e a estabilidade na cidade e impôr a lei”.
O ultimato do Governo iraquiano foi lançado numa altura em que ainda continuam os combates em Bassorá e em que os combates inter-religiosos e tribais se estendem um pouco por todo o país.
Desde que começaram os confrontos entre as forças de segurança governamentais e os leais a al-Sadr pelo controlo de Bassorá já morreram 40 pessoas e cerca de 200 ficaram feridas, de acordo com um balanço levado a cabo por fontes médicas.
A polícia informou que os combatentes se concentram em cinco distritos, onde as tropas de Mahdi fizeram bastiões. Hoje, fontes policiais informaram que um carro armadilhado explodiu perto do norte de Bassorá, acabando com a vida dos seus passageiros. O general Ali Zaidan assegurou ainda que os seus soldados mataram 30 milicianos no primeiro dia da operação, que começou ontem, ao passo que 25 ficaram feridos e cerca de 50 foram capturados. “A operação continua e não vamos parar até que alcancemos os nossos objectivos”, afirmou Zaidan, que acrescentou que a luta se mantém à mesma escala.
De 2004 até agora Sadr entrou na política e começou a ambicionar ser o homem mais poderoso do país. A luta por Bassorá é também essa. “Daqui a uns anos, o senhor de Bassorá vai controlar grande parte do petróleo e dos meios para o exportar. Vai ser o homem mais poderoso do Iraque”, esclareceu ontem ao PÚBLICO, por e-mail, Mohamad Bazzi, analista do Council on Foreign Relations.
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