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Página arquivada em: Notícias 26.03.2008 - 11h12 | in PUBLICO | Foto Marcos Brindicci/Reuters
Milhares de manifestantes pró e contra a governação da Presidente argentina Cristina Kirchner invadiram as principais avenidas de Buenos Aires e envolveram-se em conflitos. Os tumultos começaram quando os manifestantes pró-Kirchner se encontraram com os opositores, que levavam a cabo uma “caçarolada” (bater em caçarolas) contra a chefe de Estado, nas imediações da Praça de Maio.
Confrontos e insultos marcaram assim a primeira grande crise enfrentada pela chefe de Estado argentina, que tomou posse no ano passado.
Os manifestantes que pediam a demissão de Kirchner exigiam um suavizar da política tributária aos sectores rurais que originaram um bloqueio indeterminado à venda de produtos agropecuários no mercado grossista.
À cabeça dos grupos de choque que apoiam Cristina Kirchner marchavam alguns ex-governantes, a fim de fazerem travar a “caçarolada” espontânea que ocorreu na Praça de Maio, o centro político do país, e que depois se estendeu às cidades de San Miguel de Tucumán, Santa Fá e Mar del Plata, bem como a outras localidades mais pequenas.
Milhares de agricultores ficaram descontentes com a forte subida de impostos que Kirchner impôs aos exportadores de cereais.
Com o novo esquema tributário - avança o elmundo.es - os produtores deverão deixar nos cofres do Estado até um total de 56 por cento das suas vendas. Por isso, desde há 13 dias que agricultores e fazendeiros cumprem uma greve nacional contra o Governo, sem comercializar cereais nem carnes no mercado grossista.
As quatro entidades que agrupam todos os empresários do sector - Sociedad Rural, Confederaciones Rurales, Federación Agrararia e Coninagro - decretaram ontem que a greve vai continuar por tempo indeterminado “perante a falta de respostas positivas do governo nacional”.
Pouco depois, a Presidente reagiu com um discurso na Casa Rosada num muito crítico para o sector rural, o mais importante da economia, já que representa 40 por cento do PIB da Argentina.
“Não me vou submeter a nenhuma extorsão”, proclamou a chefe de Estado, desafiando todos os que protestam nas ruas, classificando estas acções de “piquetes da abundância”, em referência aos 15.400 milhões de euros por ano embolsados pelas exportações de alimentos.
“Esta competitividade do sector foi a que nos tornou competitivos e com uma rentabilidade nunca antes vista. Se não houvesse rentenções (impostos), os argentinos só veriam o frango, a carne e o leite pela televisão”, ironizou a Presidente.
As palavras de Kirchner não caíram em saco roto e poucos minutos depois começaram a ouvir-se as “caçaroladas” em distintos pontos de Buenos Aires.
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