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Página arquivada em: Notícias 28.03.2008 - 14h47 Agências | in PUBLICO | Foto Enrique De La Osa/Reuters
Raul Castro autorizou os cubanos a possuírem telemóvel, um bem até agora apenas acessível a estrangeiros e funcionários governamentais. O novo Presidente cubano anunciou também novos subsídios aos agricultores para enfrentar a subida dos preços dos bens alimentares a nível mundial.
Num comunicado divulgado no jornal oficial “Granma”, a companhia estatal de telecomunicações ETECSA anuncia “estar em condições de oferecer à população o serviço de comunicações móveis”, explicando que os contratos de adesão terão a modalidade de pré-pagamento.
O comunicado refere ainda que estão previstos mecanismos para a regularização de contratos “indirectos”, numa alusão aos cubanos que já dispõem de telemóvel, graças a amigos estrangeiros. A empresa afirma que as receitas deste serviço serão aplicadas no desenvolvimento das tecnologias de comunicação nacionais.
Cuba tem a mais baixa taxa de penetração de telefones portáteis de toda a América Latina, depois de nos últimos anos se ter verificado uma enorme expansão do sector nos países da região. A ETECSA adianta que o alargamento do serviço à população em geral só foi possível “graças à obtenção de crédito e de tecnologia junto de países amigos”, como é o caso da China.
Apesar dos baixos rendimentos da generalidade da população, há muito que os cubanos esperavam poder ter acesso a telemóveis, um dos vários bens sujeitos às restrições impostas pelo regime castrista e que o novo Presidente se comprometeu a reavaliar aquando da sua tomada de posse, no final de Fevereiro. A 25 de Fevereiro, um dia depois de ter sucedido ao irmão, Raul Castro anunciou o fim das restrições à compra de computadores e televisões.
Também hoje, o Ministério da Agricultura anunciou que vai conceder empréstimos às cooperativas agrícolas para estimular a produção alimentar, numa altura em que o preço dos bens essenciais está em escalada.
Existem em Cuba mais de 1300 cooperativas de agricultores, instaladas em terrenos públicos, que representam mais de 42 por cento da superfície agrária do país.
Estas unidades “vão receber um crédito específico que lhes permitirá desenvolver as suas próprias capacidades, aumentar a produção e criar potencialidades futuras para a compra de sementes”, adianta o ministério. As cooperativas poderão também aumentar os salários pagos aos técnicos agrários, a fim de evitar que estes continuem a migrar para as cidades, e serão autorizadas a vender directamente os seus produtos às cidades vizinhas.
Esta medida insere-se na prometida liberalização da pequena produção agrícola, até agora vendida em exclusivo nos pontos de venda estatais.
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