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Página arquivada em: Notícias 29.03.2008 - 12h31 Jorge Heitor | in PUBLICO | Foto Howard Burditt/Reuters
As Forças Armadas e a polícia do Zimbabwe foram ontem colocados em alerta máximo, na véspera das eleições presidenciais, legislativas e autárquicas que se teme possam resultar em violência. A notícia de que o estado de sítio se vai manter durante os próximos dias foi dada pelo comissário geral da polícia, Augustine Chihuri, segundo o qual são “desencorajados actos que possam levar à anarquia”. Citado pela Reuters, o mesmo disse que o papel das forças de segurança seria “impedir toda e qualquer ameaça à segurança nacional”.
Cerca de 40 carros blindados, incluindo quatro canhões de água de fabrico israelita, têm estado a percorrer as ruas de Harare, a capital, numa altura em que muitos duvidam de que as eleições zimbabweanas possam ser livres e justas; ou que possam ficar decididas numa só volta, sem necessidade de segunda, três semanas depois.
Muitos Governos estrangeiros esperam que o resultado desta ida às urnas leve o Presidente Robert Mugabe, de 84 anos, a ter de negociar a sua saída do poder; se não se der o caso, à primeira vista improvável, de ele ser derrotado.
A imprensa estatal, que não concebe outro desfecho, previa ontem a vitória do chefe do Estado logo à primeira volta, com 57 por cento dos votos expressos, citando para isso uma sondagem efectuada por universitários. Mas os demais candidatos insistiam em que o jogo será decerto viciado. Enquanto observadores independentes citados pela AFP prevêem uma segunda volta, em Abril, a sondagem oficial indica 27 por cento dos votos para Morgan Tsvangirai, líder do Movimento para a Mudança Democrática (MDC), e apenas 14 por cento para o independente Simba Makoni, um dissidente do regime.
As autoridades não permitem a presença de observadores da União Europeia (UE) nem dos Estados Unidos. Apesar de a Comissão Eleitoral (ZEC) ter o dever legal de garantir igual cobertura a todos os partidos e candidatos, dois diários estatais, o de Harare e o de Bulawayo, a segunda cidade, comportam-se como mensageiros do poder.
A ZEC é chefiada pelo juiz Chiweshe, antigo oficial do Exército considerado um forte partidário da ZANU-Frente Patriótica, segundo o fórum de organizações não-governamentais para os direitos humanos no Zimbabwe, que denunciou o “clima de intimidação” que prevaleceu durante a campanha. Chisweshe rejeita as acusações da oposição da existência de eleitores-fantasma; o MDC acusou esta semana o partido no poder de imprimir mais de três mil boletins de voto a mais em relação aos 5,9 milhões inscritos, para melhor manipular o resultado.
Tsvangirai e Makoni têm procurado coordenar estratégias com um quarto candidato, considerado de importância menor, Arthur Mutambara, líder de uma facção minoritária do MDC, de modo a que todos eles possam colocar travão às ambições de Robert Mugabe, o mais velho de todos os Presidentes existentes na África.
No decurso deste mês, o general Constantine Chiwenga, comandante do Exército, declarou que se Mugabe for derrotado ele se encarregará de derrubar a ordem constitucional. O jornal estatal The Herald comentou que “os ocidentais estão a ficar assustados com a perspectiva de uma vitória da ZANU-FP”; e a reproduzir palavras de Mugabe segundo as quais o MDC seria um “fantoche dos britânicos”.
Infelizmente em africa o poder e simbolo de riqueza, dai que o Mugabe nao quer abandonar o poder.
Porqe nao seguiu o exemplo o Nyerere, Nelson Mandela e Joquim Chissano?
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