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Página arquivada em: Egipto, Generalidades, Generalidades do Egipto, Mapas, Livros, Acessórios Os dois irmãos( Ver também: Os dois irmãos - PARTE 1 )
Quando ouviu isso, Anupu perdeu toda a calma. Pegou na sua lança e tomou posição por detrás da porta do estábulo e ali ficou esperando a volta de Bata.
Ao fim de algum tempo, Bata aparece com o gado e com o produto dos campos, como normalmente fazia. Quando a primeira vaca entrou no estáculo, disse: « Cuidado, Bata! O teu irmão está aqui com uma lança para te matar. »
A segunda vaca fez o segundo aviso e quando Bata viu os pés de Anupu, que apareciam por detrás da porta do estábulo, largou a sua carga e saiu correndo tão depressa quanto pôde, enquanto nupu o perseguia, brandindo a lança.
Enquanto corria, Bata pedia em voz alta ao grande deus Ré-Horakhti: « Ajuda-me, meu bom senhor! Porque tu és aquele que julga entre o mal-feitor e o homem justo! »
O deus ouviu-lhe a prece e, em resposta, fez surgir entre os dois irmãos uma extensão de água infestada de crocodilos. Anupu ficou na outra margem a bater furiosamente as mãos, e Bata gritou para ele: « Espera até ao amanhacer, quando será feito julgamento entre nós. Mas nunca mais viverrei convosco. Vou para o Vale do Cedro. »
Quando amanheceu, Bata viu o seu irmão do outro lado da água e gritou-lhe « Porque me perseguiste com a tua lança antes de ouvir o que eu tinha para te dizer? Afinal de contas, sou o teu irmão mais novo, e tu e a tua mulher têm sido para mim como um pai e uma mãe. Quando ontem fui a casa para procurar arranjar mais sementes, a tua mulher tentou seduzir-me, mas eu neguei a fazer qualquer coisa com ela e agora ela voltou os factos contra mim. »
Bata contou ao irmão tudo o que tinha sucedido, fez um juramento invocando o nome de Ré-Horakhri, e disse: « Tu vens para me matar, com a tua lança na mão, por instigação de uma desavergonhada! »
Pegou então numa faca e cortou o pénis, atirando-o para dentro da água, onde um peixe o engoliu. Bata caiu imediatamente desmaiado no chão, e o seu irmão, compreendendo como agira mal, sentiu-se cheio de culpa e tristeza. Não podia, porém, atravessar a água para chegar onde estava Bata, por causa dos crocodilos e ficou na outra margem a chorar.
Depois, Bata chamou de novo Anupu e disse-lhe: « Pensaste em cometer uma máacção! Não pensaste numa boa acção e nem te lembraste das coisas que eu fiz para ti. Volta para a tua casa e toma conta dos animais, pois eu jamais estarei num sítio onde tu estejas. Vou para o Vale do Cedro. E quanto ao que tu deverás fazer por mim, irás fazê-lo para tomar conta de mim quando souberes que alguma coisa me aconteceu, pois eu vou arrancar o meu coração e colocá-lo na flor do cedro. Se o cedro for cortado e o meu coração cair no solo vem procurá-lo, e disso não desistas, mesmo que passes 7 anos a procurar. Quando encontrares coloca-o dentro de um vaso de ágia fresca, para que eu renasça e possa vingar-me de quem me fez mal. Tu saberás que alguma coisa me aconteceu quando te puserem na mão uma caneca de cerveha e ela transbordar: Quando isso acontecer, vem imediantamente. »
Bata partiu então para o Vale do Cedro, e Anupu voltou para casa cheio de tristeza, gemendo com as mãos na cabeça e coberto de pó. Depois de ter chegado a casa matou a mulher e lançou o copro dela aos cães, lamentando a perda do seu irmão mais novo.
Muitos dias depois, Bata chegou ao Vale do Cedro, passando a viver ali. Levava os dias a caçar no deserto e regressava ao entardecer para dormir debaixo do cedro cuja flor ele tinha guardado o seu coração. Ali construiu com as suas mãos um castelo cheio de coisas boas, onde tinha o seu lar.
Um dia, quando saía do seu castelo, encontrou a Enéade, a grande assembleia dos nove deuses que falavam entre eles e tratavam dos assuntos do país. Os deuses da Enéade disseram a Bata: « Ó Bata, touro da Enéade, tu estás aqui sozinho depos de teres saído da tua terra e de teres fugido da mulher de Anupu, o teu irmão mais velho? Pois bem, ele matou a mulher, e assim tu foste vingado de quem agiu mal contra ti. »
Os deuses tiveram muita pena de Bata, e Ré-Hokhakti, o deus principal disse a Khnum, o deus que modelava os homens no barro, que fizesse uma esposa para consolá-lo. Khnum assim fez, produzindo uma mulher admirável, composta de elementos divinos. Mas as Sete Hathores, que sabiam o destino de todas as criaturas, advertiram: « Ela tera uma morte horrível. »
Bata amava-a imensamente e caçava diaramente para ela. Recomendava-lhe que não saísse de casa e que tivesse cuidado: « Tem cuidado, para que o Deus do Mar não te leve.não te poderás salvar dele, porque em todo o caso és uma mulher. O meu coração está no alto da flor do cedro, e se alguma pesssoa o descobrir, terei de lutar com ela. »
E então Bata contou-lhe tudo o que se passava acerca do seu coração. Depois partiu para a caça.
Um dia, porém, a mulher de Bata saiu para dar um passeio e foi perseguida pelo Deus do Mar, que rolava em vagas diante dela. Ela fugiu e refugiou-se em casa,mas o Deus do Mar pediu ao cedro para a agarrar. O cedro então roubou um anel dos cabelos dela e deu-o ao Deus do Mar.
O Deus do Mar levou o anel para o Egipto e depositou-o num lugar onde os servos do faraó ( vida, força e saúde ) costumavam lavar a roupa. O perfume dos cabelos impregnou as roupas do faraó ( vida, força e saúde ), cujos servos se queixaram aos lavadeiros, os quais ficaram muito intrigados com o facto. A disputa entre uns e outros prolongou-se por vários dias e o chefe dos lavadeiros sentia-se muito deprimido.
Depois de uma das discussões diárias, foi ele mesmo dar um passeio pela margem do rio, a fim de examinar calmamente o assunto. Parou por acaso exactamente no lugar onde o anel de cabelos estava dentro da água. Mandou um homem mergulhar para apanhá-lo e, quando o examinou, percebeu que tinha um cheiro muito doce.
Levou-o então ao faraó ( vida, força e saúde ) que pediu a opinião de seus escribas, os quais lhe disseram: « Estes cabelos pertencem a uma filha de Ré-Hokhakti, que é a semente de todos os deuses. Deve ser um presente para ti, vindo de uma terra distante. Envia um mensageiro ao Vale do Cedro, com uma escolta, para a procurar. »
Então sua magestade disse: « Enviai mensageiros a toda a parte para procurá-la. »
( Continua, ver: Os dois irmãos - PARTE 3 )
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