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Mitos e Lendas do Antigo Egipto: Os dois irmãos - PARTE 3

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( Ver também: Os dois irmãos - PARTE 1 )
( Ver também: Os dois irmãos - PARTE 2 )

Os mensageiros partiram imediatamente e, algum tempo depois, todos os mensageiros voltaram, excepto os que tinham ido ao Vale do Cedro. Bata matara-os a todos, poupando apenas um para que levasse a notícia ao faraó (vida, força e saúde).

Sua majestade enviou então uma grande força armada para ir buscar a mulher de Bata, fazendo acompanhar os soldados por uma mulher que levava toda a espécie de jóias e vestidos. Os soldados apoderaram-se da mulher de Bata sem qualquer dificuldade e levaram-na para o Egipto em grande regozijo.

Sua majestade apixonou-se imediatamente por ela e deu-lhe o título de sua primeira favorita. Mas temia a vingança por Bata e pediu À mulher que lhe descrevesse o marido. Ela então aconselhou o rei a mandar cortar o cedro e a rachá-lo. Os soldados voltaram para cortar a árvore, e assim o fizeram, derrubando o cedro com a flor em que estava depositado o coração de Bata. Nesse momento, Bata caiu morto.

No dia seguinte, quando Anupu, irmão de Bata, voltou para casa e se sentou, foi-lhe levada uma caneca de cerveja que se encheu de espuma e transbordou. Levaram-lhe depois uma caneca de vinho e este ficou azedo.

Anupu preparou-se imediatamente para a viagem, pegou nas suas armas e partiu para o Vale do Cedro. Quando chegou entrou no castelo de seu irmão e encontrou-o morto, deitado no leito como cadáver. Chorou ao vê-lo assim, mas lembrou-se do que ele lhe dissera muito antes e saiu à procura do seu coração, sob o cedro debaixo do qual o seu irmão dormia.

Durante três anos procurou em vão, mas quando o quarto ano começou teve saudades do Egipto. Na véspera do dia que decidira voltar, procurou mais uma vez e encontrou a baga que era o coração de Bata. Colocou-a num jarro de água fresca e durante a noite a baga absorveu a água. O corpo de Bata estremeceu então e olhou para Anupu, que correu para o jarro e deu-o a beber a Bata. Quando o coração foi colocado no lugar, Bata voltou a ser o que era, e os dois irmãos abraçaram-se.

Disse Bata: «Serei agora um grande touro com estranhas marcas. Tu sentar-te-ás nas minhas costas e iremos para exercer vingança contra a minha mulher. Leva-me até ao faraó (vida, força e saúde) e serás amplamente recompensado, porque eu serei uma grande maravilha naquela terra.»

Ao amanhecer do dia seguinte, Bata assumiu a forma de um touro e, levando às costas Anupu, chegou ao palácio do faraó (vida, força e saúde). Quando a sua majestade soubre do touro ficou encantado e guardou-o no palácio, dando muito tesouros a Anupu que, em seguida, regressou à sua terra.

Algum tempo depois o touro aproximou-se da primeira favorita, que estava na cozinha, e disse: «Vê! Ainda estou vivo.»

Perguntou a favorita: «Quem és tu?»

E ele respondeu: «Sou Bata e sei que mandaste derrubar o cedro para o faraó (vida, força e saúde), para te veres livre de mim. Mas ainda estou vivo e sou um touro.»

Ela ficou aterrada e, foge na primeira oportunidade, quando estava com o faraó (vida, força e saúde), para passar um dia feliz, disse: «Atendes um pedido meu, seja ele qual for?»

Sua majestade concordou, mas ficou muito aflito quando ela disse que queira comer um pedaço do fígado do touro. Ele tinha feito, porém uma promessa e, no dia seguinte, decretou um festival com o sacrifício do touro. Para a execução do triste acto, o faraó (vida, força e saúde) designou um dos seus principais magarefes.

Depois de morto o trouro, duas gotas do seu sangue caíram no chão perto dos umbrais do grande portão do faraó (vida, força e saúde). Das gostas de sangue nasceram dois rebentos que bem depressa se transformaram em belas árvores. Logo que as pessoas viram essas árvores, foram correndeo dizer ao faraó (vida, força e saúde). Esse facto foi interpretado como sendo de bom presságio. Houve grande regozijo e o faraó (vida, força e saúde) depositou uma oferenda diante das árvores.

Pouco depois, o faraó (vida, força e saúde) quis ir ver as árvores no seu carro de ouro, acompanhado da sua favorita. Sua majestade partiu no seu carro dourado e chegado ao local sentou-se à sombra de uma delas. A favorita, que vinha atrás, sentou-se junto da outra.

Mal ela se havia sentado, a árvore sussurrou: «Traidora! Sou Bata! Apesar de tudo o que fizeste, ainda estou vivo. Sei exactamente como conseguiste que o faraó (vida, força e saúde) mandasse cortar o cedro por minha causa. E quando me transformei num touro, fizeste com que eu fosse abatido.»

A favorita esperou uma boa oportunidade. Um dia, quando atendia ao faraó (vida, força e saúde) a servir-lhe vinho e dar-lhe contentamento, ela disse a sua majestade: «Fazes qualquer coisa que eu te pedir?»

Sua majestade disse que sim e ela pediu: «Manda derrubar as duas árvores e aproveitar a madeira para fazer móveis.»

O faraó (vida, força e saúde) tornou a fazer o que ela lhe pediu e mandou chamar os seus melhores carpinteiros. Enquanto eles trabalhavam, sua majestade e a favorita ficaram observando.

Nessa ocasião, uma pequena lasca de madeira saltou de um machado e foi cair na boca da favorita, que logo engoliu involuntáriamente e, dentro em pouco, ficou grávida. Enquanto isso, o faraó (vida, força e saúde) tornou todas as providências para que a madeira fosse transformada em belos móveis, como ela desejava.

Ao fim de algum tempo, a favorita deu à luz um menino e os funcionários foram dar a boa notícia ao faraó (vida, força e saúde). Sua majestade amou a criança logo desde o princípio, deu-lhe uma ama e servos, e honrou-a com a designação de vice-rei de Kuch.

Mais tarde, quando o menino cresceu, sua majestade nomedou-o príncipe herdeiro do país, e exerceu o cargo durante muitos anos até que sua majestade partiu para o céu.

O novo rei ordenou imediatamente: «Reuni todos os meus altos funcionários para que a minha majestade possa dizer tudo o que aconteceu.»

Na presença deles, e com a mulher ao lado, Bata,pois era ele, contou a sua história e eles serviram de juízes entre o novo faraó e a mulher, com desvantagem para ela. Depois de conseguir a vingança, Bata chamou Anupu à corte e fez dele o príncipe herdeiro do país. Durante trinta anos Bata governou o Egipto como faraó e depois, quando passou para uma vida melhor, Anupu tornou-se rei.


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