Guerra no Iraque: Militares americanos alvejados por franco-atiradores em Mossul


11.04.2003 – 18h02 AFP, Reuters, PUBLICO.PT | in PUBLICO | Foto: Kamran Jebreili/AP
Os primeiros elementos das forças de Operações Especiais norte-americanas que chegaram à cidade de Mossul, conquistada esta manhã após a rendição da guarnição militar iraquiana, foram alvejados por franco-atiradores.
De acordo com o correspondente da AFP na cidade, onze veículos todo-o-terreno, transportando algumas dezenas de militares norte-americanos, chegaram esta tarde a Mossul, através da estrada de Dohuk, sendo seguidos por cerca de 300 combatentes do Partido Democrático do Curdistão (PDK).
Os militares atravessaram, sem sobressaltos, a cidade quase deserta, após um dia marcado por pilhagens e pelo caos generalizado, tendo depois entrado na casa do xeque Ibrahim Attallah Al-Joubouri, chefe da mais conhecida tribo árabe do Iraque.
Após este primeiro contacto, as forças ocupantes dirigiram-se para um edifício governamental que foi pilhado durante o dia, mas ao fim de 40 minutos foram alvejados por franco-atiradores escondidos nos prédios vizinhos, relata o jornalista da agência francesa. A mesma fonte adianta que parte destes militares se retiraram precipitadamente para o aeroporto militar da cidade, no qual começaram a montar posições defensivas. A meio da tarde, o diário “The New York Times” dava como certa a retirada das tropas americanas da cidade após um ataque cerrado das milícias, mas esta informação não se chegou a confirmar.
Ao final da manhã, o Comando Central norte-americano, responsável pela ofensiva em curso, confirmava que a cidade foi tomada depois de o comandante do 5º Corpo de Exército regular iraquiano, que guardava a cidade, ter aceitado um acordo de rendição sem combates.
Assim que a guarnição da cidade baixou as armas, a população da cidade, situada a poucos quilómetros da “linha verde” (que separava a zona até aqui controlada pelas tropas iraquianas daquela que desde 1991 está sob controlo das forças curdas), começou a pilhar os edifícios governamentais, repetindo-se as cenas de anarquia que há dois dias se registam em Bagdad. O mercado central da cidade foi incendiado e nem as escolas e hospitais escaparam aos saques.
Alguns jornalistas que chegaram à cidade antes das forças americanas e dos combatentes curdos foram obrigados a sair do centro de Mossul por uma multidão em fúria. “Onde estão os americanos?”, perguntava um homem empunhando uma granada, rodeado por dezenas de outros árabes em fúria, relata um jornalista da Reuters. “Vocês estão a tirar fotografias, mas não estão a impedir as pessoas de roubar”, gritava. “Onde estão os americanos? Saiam daqui, saiam daqui”, ameaçava.
A entrada dos combatentes curdos em Mossul, um dia depois de terem conquistado Kirkuk, foi recebida com inquietação pela vizinha Turquia, que teme que os guerrilheiros se apoderem das riquezas petrolíferas da região para financiar a sua luta por um estado curdo independente.
Ao abrigo de um acordo alcançado com os EUA — que tentam evitar a entrada de tropas turcas no Norte do Iraque — Ancara enviou para a região um “pequeno número” de observadores militares que vão acompanhar o evoluir da situação.
Para acalmar os receios de Ancara, os combatentes curdos anunciaram que já estão a sair da cidade de Kirkuk, capital tradicional dos curdos iraquianos, estando a ser substituídos por militares americanos. Ontem ao final do dia chegou à cidade um batalhão da 173ª Brigada Aerotransportada norte-americana, com o objectivo de garantir a segurança em Kirkuk e assumir o controlo dos poços de petróleo nos arredores da cidade.
Com a conquista de Kirkuk e Mossul, as atenções da coligação anglo-americana, apoiada em terra pelos combatentes curdos, viram-se agora para Tikrit, cidade natal de Saddam Hussein, e a única que foge ainda ao controlo das forças ocupantes.
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Estou me formando em jornalismo este ano (2008), e gostei muito do seu blog. Em meu Trabalho de Conclusão de Curso estarei falando sobre as dificuldades que os jornalistas enfrentam durante guerras e conflitos, se pudesse me ajudar nas referências bibliográficas, eu ficaria imensamente agradecida.
Belo trabalho!