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Página arquivada em: Notícias 17.04.2008 - 18h18 AFP | in PUBLICO | Foto: rakli Gedenidze/Reuters
A Geórgia pediu hoje a intervenção da comunidade para impedir o que diz ser a intenção russa de reforçar a cooperação com as autoridades da Abkázia e Ossétia do Sul, temendo que tal iniciativa seja um primeiro passo para anexar aquelas duas regiões separatistas
“A federação russa deu um novo passo extremamente perigoso com vista à anexação de partes integrantes do território da Geórgia tal como é reconhecido pela comunidade internacional”, lê-se num comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros de Tbilissi.
Tbilissi pede, por isso, às Nações Unidas, Organização para a Cooperação e Segurança na Europa (OSCE), à Comunidade de Estados Independentes (que reúne antigas repúblicas soviéticas) e “ao conjunto da comunidade internacional” para “fazerem todo o possível para parar um processo lançado pela Rússia e que viola a integridade do Estado georgiano”.
Entretanto, o chefe da diplomacia georgiana, David Bakradze, pediu a convocação de uma sessão extraordinária do Conselho de Segurança da ONU para debater as ambições russas sobre aquelas regiões fronteiriça.
A reacção de Tbilissi surge um dia depois do Presidente russo, Vladimir Putin, ter ordenado ao Governo para “cooperar com as autoridades ‘de facto’ da Abkázia e Ossétia do Sul”, nomeadamente no domínio económico. Moscovo esclarece que i objectivo é “criar um mecanismo de protecção dos direitos, liberdades e dos interesses dos cidadãos” da população, na sua maioria de origem russa.
Estas regiões limítrofes das repúblicas russas do Cáucaso declararam unilateralmente a sua independência após a queda da URSS, no início da década de 1990, tendo entrado em guerra com Tbilissi para garantir a sua autonomia. Até agora, contudo, nenhum país reconhecera a sua independência, nem mesmo a Rússia, que durante anos tem apoiado economicamente a região.
Contudo, depois de a maioria dos países ocidentais ter reconhecido a independência do Kosovo, declarada unilateralmente por Pristina em Fevereiro, Moscovo, tradicional aliado da Sérvia, anunciou que poderia vir a reconhecer a independência daqueles dois territórios.
A União Europeia e a NATO (à qual a Geórgia pretende aderir) já manifestaram a sua inquietação com a decisão de Moscovo, tendo alertado para os riscos associados a este tipo de decisões unilaterais na estabilidade da região.
Por seu lado, o Presidente georgiano, Mikhail Saakashvili, exigiu que o Governo russo recue na decisão de aproximação aos governos “ilegítimos” das duas repúblicas, sustentando que tais acções “violam a soberania da Geórgia”.
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