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Página arquivada em: Notícias 16.04.2008 - 11h14 AFP | in PUBLICO | Foto: Reuters
O Presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad voltou hoje a pôr em causa a origem terrorista dos atentados de 11 de Setembro de 2001 nos Estados Unidos, qualificando-os de “acontecimento suspeito”, durante um discurso retransmitido pela televisão pública iraniana.
“Há quatro ou cinco anos, um acontecimento suspeito ocorreu em Nova Iorque. Um edifício desmoronou-se e eles disseram que 3000 pessoas morreram (…) eles nunca divulgaram os seus nomes, mas sob esse pretexto, atacaram o Afeganistão e o Iraque, e depois um milhão de pessoas morreram”, declarou Ahmadinejad, num discurso a partir da cidade sagrada de Qom (no centro do Irão).
Esta é a terceira vez em poucos dias que Ahmadinejad fala sobre o tema do 11 de Setembro, depois de, no ano passado, ter dado a entender que o Holocausto judeu nunca existiu, ideia que veio a desmentir mais tarde.
Já no passado dia 8 de Abril o Presidente iraniano tinha acusado os Estados Unidos de terem usado os atentados de 11 de Setembro como “pretexto” para as suas intervenções no Afeganistão e no Iraque.
Ahmadinejad, eleito em Junho de 2005, é autor frequente de declarações polémicas, a maioria das quais tem como alvo Israel, inimigo histórico do Irão. Ahmadinejad já pediu, numa ocasião anterior, que se “risque Israel do mapa”, frase que provocou uma onda de indignação por todo o mundo.
À altura dos atentados, o Presidente iraniano era o reformador Mohammad Khatami, que condenou veementemente os atentados de 11 de Setembro e chegou a manter contactos com a Administração Bush, após a queda do regime taliban no Afeganistão.
Hoje em dia, Washington acusa Teerão de querer construir a bomba atómica sob a aparência de querer criar um programa nuclear civil e considera o Irão responsável por uma boa parte das violências sectárias no Iraque, sob a forma de apoio a grupos extremistas. A mais alta patente militar americana no Iraque, o general David Petraeus, acusa o Irão de representar na região “um papel destruidor”.
Washington e Teerão não mantêm relações diplomáticas oficiais desde o rapto de diplomatas americanos após a Revolução Islâmica de 1979.
Em Qom, o Presidente Ahmadinejad denunciou igualmente a “ordem mundial”. “Nós temos duas missões: construir o Irão e corrigir a situação do mundo (…). É impossível esperar por progressos sem que se mude a ordem corrompida e injusta do mundo”, declarou.
No dia 10 de Abril, Ahmadinejad lançou uma nova diatribe contra as potências mundiais, afirmando que o Irão irá até ao fim para “eliminar a direcção corrompida do mundo”.
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