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Página arquivada em: Notícias 17.04.2008 - 13h59 PÚBLICO, Agências | in PUBLICO | Foto: Tim Shaffer/Reuters
Hillary Clinton e Barack Obama, os candidatos democratas às presidenciais norte-americanas, enfrentaram-se ontem num debate de 90 minutos na cidade de Filadélfia, a poucos dias das primárias no estado de Pensilvânia, na próxima terça-feira. Boa parte do debate centrou-se nas recentes “gaffes” e “passos em falso” dos dois candidatos e no objectivo comum dos dois: derrotar o candidato republicano John McCain.
O debate, apesar de tenso, foi cordial. Houve até tempo para alguns elogios mútuos. Tanto Clinton como Obama concordaram que o seu opositor terá grandes hipóteses de vencer a McCain. “Sim, sim, sim”, disse e repetiu Hillary, quando pressionada a responder sobre a possibilidade de Obama vencer. Mas a sua beligerância manifestou-se quando acusou o senador do Illinois de ser “demasiado vulnerável” frente ao opositor republicano, e quando disse, taxativamente, que acha que fará um melhor trabalho. “Obviamente! Por isso é que aqui estou”, acrescentou Clinton, rematando com um “acredito que sou uma candidata melhor e mais forte que o senador McCain”.
Contudo, seja qual for a decisão final sobre o candidato democrata, Clinton assegurou que fará “todo o possível” para que o próximo inquilino da Casa Branca a partir de Janeiro do próximo ano seja um democrata. “Esse é o objectivo absoluto”, assinalou a senadora de Nova Iorque.
Por seu lado, Obama também disse que Hillary poderá ganhar, afirmando que apoiará a ex-primeira-dama na sua nomeação democrata, se for ela a vencedora da “contenda” entre os dois. “Uma coisa é certa: chegando Agosto, quando estivermos em Denver, a Convenção Democrata falará a uma única voz”, afirmou. Nenhum dos dois candidatos quis avançar se escolheria o seu adversário para o posto de vice-Presidente.
Candidatos explicam “gaffes”
Apesar de o debate - transmitido pela ABC - ter sido cordial, foi pontuado por momentos de tensão, especialmente aqueles em que os candidatos foram confrontados com algumas das suas “gaffes” e recentes “passos em falso”.
A senadora Clinton pediu pela primeira vez desculpa por ter indicado ter sido recebida debaixo de fogo quando visitou a Bósnia, em 1996. “Posso ser muitas coisas, mas não sou tonta”, disse. “Escrevi sobre isso no meu livro, em 2004. Disse algumas coisas que não correspondiam àquilo que eu achava. Estou envergonhada. Lamento ter dito o que disse”.
Clinton referia-se ao episódio narrado recentemente com grosseiras imprecisões, quando indicou ter sido recebida por franco-atiradores quando chegou a um aeroporto da Bósnia, quando ainda era primeira-dama. Imagens vindas a público acabaram por contrariar a sua descrição, mostrando uma Hillary Clinton acompanhada da filha Chelsea a serem recebidas com flores e crianças à saída do avião.
Por seu lado, Obama também se quis distanciar das polémicas declarações proferidas pelo seu pastor espiritual, o reverendo Jeremiah Wright, acusado de proferir sermões que promovem a divisão racial. Estas criticas obrigaram já Obama a destacar-se de algumas das ideias propostas pelo reverendo nos seus sermões.
Obama defendeu-se ainda dos ataques de Clinton e de McCain, que o acusam de ser elitista e de estar afastado da realidade depois de assinalar, numa reunião com doadores de São Francisco, que as pessoas das pequenas aldeias da Pensilvânia estão “amaguradas” e tendem a agarrar-se à religião e às armas porque estão frustradas com os seus problemas económicos e foram alienadas do centro de decisão político: Washington.
O senador disse que o problema foi não ter conseguido articular correctamente os seus pensamentos, o que fez com que fosse criticado “até à morte”, nas suas palavras. “Isso é o que a senadora Clinton está a fazer há quatro dias”, acusou.
Ambos tentaram, porém, justificar os seus erros e desdramatizá-los. “Ambos dissemos coisas que acabaram por não ser muito exactas”, disse Clinton. “Isso acontece quando temos de falar muito.” Por seu lado, Obama parecia igualmente falar em nome dos dois quando indicou: “Acho que é errado ficarmos obcecados com este tipo de enganos “.
Irão, impostos e bandeira na lapela
Os dois candidatos indicaram que irão actuar de forma a que o Irão não consiga adquirir armas nucleares, deixando claro que, em caso de um ataque iraniano a Israel, os Estados Unidos não hesitarão em retaliar. “Farei tudo o que for necessário para prevenir que os iranianos obtenham armas nucleares”, garantiu Obama.
Ambos concordaram igualmente no seguinte: não aumentar os impostos a quem ganhe menos de 200 mil dólares por ano. “Estou absolutamente comprometida com a hipótese de não subir os impostos à classe média norte-americana”, disse Clinton, que indicou que, caso vença, irá pôr fim aos cortes nos impostos iniciados por Bush às pessoas que ganham mais de 250 mil dólares (ou mais) por ano.
Por seu lado, Obama disse claramente que irá baixar os impostos para os agregados familiares que recebam 75 mil dólares (ou menos) por ano e que irá aumentar os impostos a quem ganhe entre 200 e 250 mil dólares anualmente.
Obama foi ainda confrontado com a pergunta de um eleitor, via vídeo, sobre o facto de não usar um “pin” da bandeira americana na lapela do fato. “Eu nunca disse que não uso ‘pins’ ou que recuso usar ‘pins’ da bandeira. Isso é o tipo de assunto com o qual a nossa política se tornou obcecada e, uma vez mais, isso é um factor de distracção”, respondeu.
Batalha democrata continua renhida
Clinton e Obama continuam demasiado próximos nas vésperas de mais umas primárias, na Pensilvânia, onde a candidata Clinton dispõe de uma magra vantagem nas sondagens. De qualquer forma, Obama continua à frente nas sondagens nacionais. Na próxima terça-feira serão escolhidos mais 158 delegados neste estado e Clinton precisa de uma larga maioria para manter a sua candidatura viva e convencer os super-delegados que será a melhor escolha do partido democrata para recuperar a Casa Branca.
Hoje, os candidatos democratas e o candidato republicano John McCain vão encontrar-se com o primeiro-ministro britânico Gordon Brown em Washington. Cada um deles terá uma reunião particular de 45 minutos com o governante britânico
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