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Página arquivada em: Notícias 18.04.2008 - 16h01 AFP | in PUBLICO | Foto: David Mdzinarishvili/Reuters (arquivo)
O Presidente russo, Vladimir Putin, anunciou hoje o levantamento das sanções ainda em vigor contra a Geórgia com vista à “normalização” das relações diplomáticas com o país vizinho, apenas dois dias depois de ter decidido uma aproximação às autoridades de duas províncias separatistas.
“O Presidente russo deu ordens para adoptarmos medidas práticas suplementares com vista à normalização das relações com a Geórgia”, lê-se num comunicado emitido esta tarde pela diplomacia de Moscovo, adiantando que está em causa a continuação de uma política destinada a “eliminar todas as restrições ao desenvolvimento socioeconómico da região, à livre circulação de pessoas e à cooperação entre os povos”.
Uma das medidas mais significativas passa pela “eliminação de todas as restrições ainda existentes à emissão de vistos a cidadãos georgianos”, a que se junta “a retoma das comunicações postais” e a promessa de “consultas” bilaterais destinadas a garantir o “acesso dos produtos georgianos ao mercado russo”.
Em Outubro de 2006, a Rússia suspendeu as ligações aéreas, terrestres e marítimas com o país vizinho, em retaliação pela detenção de quatro militares russos acusados por Tbilissi de espionagem. Ainda no mesmo ano, impôs um embargo à importação de águas minerais e vinhos oriundos da Geórgia.
No mês passado, em sinal de aproximação, os dois países retomaram as ligações aéreas entre as duas capitais, tendo agora sido levantados os restantes entraves à circulação na região.
Contudo, o novo gesto de Moscovo ocorre num novo momento de tensão entre os dois países, depois de Putin ter ordenado um reforço da cooperação com as autoridades da Abkázia e Ossétia do Sul, duas regiões fronteiriças que vivem desde a década de 1990 numa situação de independência de facto em relação a Tbilissi. Moscovo afirma que pretende criar um mecanismo de “protecção” das duas regiões, cuja população é maioritariamente de origem russa, mas o Governo georgiano acusa o país vizinho de pretender anexar os dois territórios e ontem pediu a convocação de uma reunião extraordinária do Conselho de Segurança para discutir a situação.
Reagindo ao levantamento de sanções, Tbilissi considerou o gesto de Moscovo “vazio de sentido”, adoptado dois dias depois de ter decidida uma medida que considera atentatória da integridade territorial georgiana.
Os momentos de tensão entre Moscovo e Tbilissi, aliados durante a última década, sucedem-se desde a chegada ao poder, em 2004, do Presidente Mikhail Saakachvili, um pró-ocidental que defende a adesão do país à NATO – iniciativa fortemente contestada pelo Governo russo.
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