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África: Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros defende mecanismos urgentes de resposta à globalização
22.04.2008 – 10h03 Lusa | in PUBLICO | Foto: Reuters A criação de mecanismos de resposta à globalização é o desafio mais importante a médio prazo em África, afirmou o secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação português em Acra. João Gomes Cravinho está desde domingo na capital ganesa, onde decorre a 12.ª Conferência das Nações Unidas sobre o Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), que até sexta-feira reúne representantes dos 193 países da organização. Sob o tema “Oportunidades e Desafios da Globalização no Âmbito do Desenvolvimento”, a conferência foi inaugurada pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e tem como anfitrião o Presidente do Gana, John Kufuor. Em declarações telefónicas à Lusa a partir de Acra, Gomes Cravinho disse ser “consensual que a natureza dos problemas – multifacetados e globais – requer a concertação internacional em grande escala”. Segundo o secretário de Estado da Cooperação, “propostas de soluções baseadas em políticas nacionais não têm possibilidade de êxito”. Gomes Cravinho precisou que “há um desfasamento entre as dinâmicas do mercado e a limitada capacidade nacional de resposta”. “Em África – explicou – a situação é dramática porque não há almofadas de segurança e, embora a primeira grande responsabilidade do desenvolvimento caiba aos governos dos próprios países, é preciso o apoio internacional, que chegará de acordo com as políticas adoptadas”. Neste sentido, adiantou que a UNCTAD é um bom veículo para começar, com a participação da Organização Mundial do Comércio (OMC), de outras organizações internacionais e de agrupamentos regionais”. “As políticas de mercado, por si sós, produzem desequilíbrios, requerendo portanto políticas públicas, para as contrabalançar”, sustentou, sublinhando que “a globalização exige regulação”. “As instâncias decisórias nacionais não ajudam ao equilíbrio global e, daí, o imperativo dos mecanismos internacionais”, acrescentou. Relativamente ao papel da Europa, Gomes Cravinho admitiu haver “um caminho a percorrer em matéria de coerência política”. O secretário de Estado da Cooperação vincou que “o mais importante neste processo é o médio prazo, precisamente para permitir o desenvolvimento de mecanismos em fóruns de resposta à globalização”. Gomes Cravinho encorajou ainda a “concertação Norte-Sul através do diálogo, na via do comércio e do desenvolvimento”. Uma última palavra foi deixada sobre o Zimbabwe, onde “há uma crise grave de que todos conhecem a natureza e cuja saída exige a intervenção dos países da região”. “Julgo que ainda há bastante espaço para o trabalho diplomático, mas já não é possível continuar de braços cruzados” frente à crise zimbabweana, concluiu.
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