Colômbia: Presidente investigado por envolvimento em massacre cometido por paramilitares


23.04.2008 – 20h53 Agências | in PUBLICO | Foto: John Vizcaino/Reuters
O Presidente colombiano revelou que está a ser investigado pela justiça do país, depois de o seu nome ter sido associado a um massacre de camponeses, cometido em 1997 por paramilitares. Ontem, um primo de Álvaro Uribe foi detido após ver recusado um pedido de asilo para escapar a um processo em que é acusado de ligações aos grupos de extrema-direita
Em declarações à rádio Caracol, emissora privada colombiana, Uribe revelou que um paramilitar que se encontra detido o acusou de envolvimento no massacre de El Aro, no departamento de Antioquia (Noroeste) onde há mais de uma década foram torturados e assassinados 15 camponeses suspeitos de ligações à guerrilha marxista das FARC.
Na altura, Uribe era governador do departamento. “Um criminoso, que já foi condenado, diz que me reuni com ele, com Salvatore Mancuso [chefe do grupo Auto-Defesas Unidas] e com vários generais na localidade de La Caucana para preparar o massacre de Aro”, explicou.
O detido terá dito que o então governador agradeceu, mais tarde, aos paramilitares por terem libertado seis reféns, incluindo um primo seu, e que um dos seus irmãos teria mesmo disponibilizado “20 paramilitares para executarem o massacre”.
O Presidente colombiano diz concordar que todas as denúncias devem ser investigadas, mas alerta que os procuradores devem analisar com “muito cuidado” o testemunho de “um criminoso com vontade de vingança” e avisa os magistrados que “não devem encorajá-los a acusar pessoas honradas”.
Para se defender das acusações, Uribe está a reconstituir, com a ajuda da sua equipa de advogados, todas as suas deslocações desde 1988 e lembra que há 19 anos dispõe de escolta da polícia, pelo que os agentes envolvidos podem testemunhar a seu favor.
Até ao momento, não foi aberto qualquer processo formal contra o chefe de Estado (só o Congresso ou Supremo Tribunal podem autorizá-lo), que está apenas a ser alvo de averiguações. Contudo, esta é a primeira vez que o nome do Presidente, e principal aliado dos EUA na região, é directamente envolvido no escândalo da “parapolítica”, como são já conhecidas na Colômbia as sucessivas denúncias de ligações entre políticos e os grupos que durante anos lideraram a guerra suja contra as guerrilhas de esquerda.
Há vários meses que estas ligações estão debaixo da mira da justiça e o último visado foi o primo do Presidente, Mário Uribe, detido ontem na embaixada da Costa Rica em Bogotá, onde tinha ido pedir asilo, a fim de escapar a um mandado de captura.
Na mesma entrevista, Uribe não descarta a hipótese de convocar eleições antecipadas, para superar a crise desencadeada pelos sucessivos escândalos. “Todas as opções”estão em cima da mesa, afirmou o responsável quando questionado sobre esta possibilidade.
Colômbia: Presidente investigado por envolvimento em massacre cometido por paramilitares
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