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Página arquivada em: Notícias 24.04.2008 - 18h36 AFP, PÚBLICO | in PUBLICO | Foto: Siphiwe Sibeko/Reuters
Os Estados Unidos dizem dispor de dados que apontam para uma “vitória clara” do líder da oposição zimbabweana, Morgan Tsvangirai, nas eleições presidenciais de 29 de Março.
“Os resultados mais credíveis de que dispomos até agora mostram uma vitória clara de Morgan Tsvangirai na primeira volta que poderá ser mesmo uma vitória total”, afirmou a secretária de Estado adjunta para os Assuntos Africanos, Jendayi Frazer.
A responsável falava em Pretória, primeira etapa de uma ronda destinada a convencer os países da África austral a convenceram o Presidente do Zimbabwe, Robert Mugabe, a aceitar a divulgação dos resultados.
Questionada sobre a formação de um governo de unidade nacional, para ultrapassar a actual crise no país – hipótese defendida por alguns mediadores – a enviada norte-americana insistiu que os resultados apontam para uma vitória clara da oposição, tanto nas presidenciais como nas legislativas (realizadas em simultâneas), o que por si só descartaria essa hipótese.
“Os zimbabweanos votaram pela mudança e nós entendemos que a vontade do povo deve ser respeitada”, afirmou Frazer, apesar de admitir que os os resultados que a comissão eleitoral agora anuncie não tenham “qualquer credibilidade”.
Quase um mês após o escrutínio, a comissão eleitoral ainda não divulgou qualquer dado relativo às eleições presidenciais. Tsvangirai, líder do Movimento para a Mudança Democrática (MDC), afirma ter conseguido votos suficientes para ser declarado vencedor à primeira volta, mas o partido do Presidente Robert Mugabe diz que tudo aponta para a necessidade de uma segunda volta.
A espera tem contribuído para o aumento da instabilidade e, apesar da calma relativa, a oposição denuncia que mais de 400 dos seus militantes foram detidos nas últimas semanas.
A enviada norte-americana afirmou que os EUA “estão cada vez mais preocupados com a violência e a violação dos direitos Humanos no Zimbabwe depois das eleições”, dizendo estar criado um “clima de intimidação”. “Não podemos deixar que a situação se agrave”, insistiu, num apelo aos países da região, reticentes até agora em intervir na resolução da crise.
Num sinal da crescente pressão internacional, a China anunciou entretanto que um navio que transportava um carregamento de armas vendidas ao Zimbabwe regressou ao país. Ontem, o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, defendeu um embargo à venda de armas à antiga colónia, um agravamento das sanções já em vigor contra o regime de Mugabe e que já mereceu o apoio de Washington.
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