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Página arquivada em: Notícias 24.04.2008 - 15h41 Agências | in PUBLICO | Foto: Beawiharta/Reuters (arquivo)
O comandante de um dos mais influentes grupos taliban no Paquistão, com ligações à Al-Qaeda, ordenou a suspensão dos ataques no país, depois de iniciadas conversações com o novo Governo, apostado em chegar a acordo com os radicais islâmicos, responsáveis pela vaga de atentados que nos últimos meses provocaram centenas de feridos.
Desde que chegou ao poder, no início do mês, a oposição ao Presidente paquistanês anunciou a intenção de negociar com os extremistas islâmicos o fim da violência, por considerar esgotada a estratégia militar seguida por Pervez Musharraf, principal apoiante na região da “guerra contra o terrorismo” promovida pelos EUA.
Washington vê, por isso, com desagrado os projectos do novo Governo, dizendo temer que um eventual cessar-fogo – semelhante a outros acordados em anos anteriores – permita o reagrupamento dos taliban afegãos e de operacionais da Al-Qaeda, refugiados nas zonas de fronteira com a complacência das tribos locais.
As suspeitas são ainda maiores porque os representantes do Governo estão a negociar com Baitullah Mehsud, líder do Tehrik-e-Taliban Pakistan (Movimento dos Taliban do Paquistão), organização que reúne vários grupos islamistas de etnia pashtun activos nas zonas de fronteira. O grupo, suspeito de ligações a Osama bin Laden, é acusado pelos militares paquistaneses de muitos dos atentados-suicidas cometidos nos últimos meses no país, incluindo o assassinato de Benazir Bhutto. O partido da ex-primeira-ministra é o parceiro maioritário da coligação agora no poder, mas atribui o ataque aos serviços secretos paquistaneses.
Com as negociações em curso, o líder radical terá ordenado a suspensão dos ataques no país, adiantam fontes governamentais em Islamabad. “Todos os membros do Tehrik-e-Taliban têm ordens de Baitullah Mehsud para suspender as actividades provocatórias a bem da paz”, lê-se num panfleto distribuído na região tribal do Waziristão-Sul. A comunicação, a que Reuters teve acesso, sublinha que quem desrespeitar a ordem de cessar-fogo será “enforcado em público”.
Um porta-voz do movimento disse à AFP que as negociações com o Governo “estão a progredir” a bom ritmo, tendo a maioria das exigências sido aceites. “Segundo projecto de acordo, as duas partes deixam de se combater, os militares retiram-se de certas zonas e os islamistas cessam os ataques contra o Exército”, acrescentou um responsável dos serviços de segurança.
Reagindo a estas notícias, a presidência americana disse estar “inquieta” com a possibilidade de um acordo e pressionou as autoridades paquistanesas a “continuar a combater os terroristas”. Também a União Europeia considera “intolerável” que Islamabad mantenha negociações com grupos associados à Al-Qaeda
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