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Página arquivada em: Notícias 27.04.2008 - 10h56 Agências | in PUBLICO
O jantar anual dos correspondentes da Casa Branca, o evento social por excelência de Washington, é sempre palco para divertidos discursos presidenciais. Este ano não foi excepção. George W. Bush pegou na batuta para dirigir a orquestra e fez piadas com os candidatos democratas à presidência do país: Hillary Clinton e Barack Obama.
Bush indicou, com humor, que Hillary Clinton não esteve presente na cerimónia porque se tinha deparado, à entrada, com o “fogo de franco-atiradores” e que Obama também não esteve porque ficara a rezar na sua Igreja.
Com estes comentários, Bush tocou em dois dos assuntos mais falados nos últimos meses da campanha democrata: no caso de Hillary a polémica gira em torno do seu confuso relato de uma viagem à Bósnia, em 1996, durante a qual, segundo disse, tinha sido recebida com tiros de franco-atiradores, embora as imagens de arquivo revelassem que a sua chegada decorreu na mais absoluta normalidade. No caso de Obama, Bush referia-se à incendiária retórica do ex-reverendo do candidato, Jeremiah Wright, que o obrigou a demarcar-se das suas posições.
Mas Bush teve ainda uma palavra para o candidato republicano à Casa Branca. “O senador [John] McCain não está aqui (…) Provavelmente quer distanciar-se um pouco de mim. Não é o único. A Jenna também se está a mudar”, ironizou, em referência à sua filha, que se casa no próximo mês.
O jantar atraiu uma audiência muito eclética, reunindo na mesma sala, por exemplo, a estilista de moda Donatella Versace, o escritor Salman Rushdie e o director da CIA Michael Hayden. Bush não deixou passar em claro essa combinação variada de convidados, e disse que o facto de Pamela Anderson e o ex-aspirante republicano à Casa Branca, Mitt Romney - conhecido pela sua fé mórmon - estarem juntos debaixo do mesmo tecto só podia ser “um sinal do Apocalipse”.
Estavam igualmente representadas algumas das mais importantes figuras da Administração norte-americana, como a secretária de Estado Condoleezza Rice, o juiz do Supremo Tribunal Antonin Scalia e o secretário da Segurança Nacional, Michael Chertoff.
O ensaiado discurso de Bush foi ambientado com vários vídeos de discursos seus de anos anteriores e a sua participação concluiu com a direcção improvisada da banda de “marines”.
O comediante escocês-americano Craig Ferguson, apresentador do programa humorístico “The Late Late Show”, da cadeia de televisão CBS, também fez as honras enquanto humorista de serviço e sugeriu a Bush - criticado por passar demasiado tempo afastado da Casa Branca - que poderá depois da sua retirada, em Novembro, procurar um trabalho em que lhe dessem mais férias.
O humorista referiu-se ainda à ausêntia do diário “The New York Times” no jantar, que cancelou a sua participação por considerar que essa relação tão estreita entre os jornalistas e as suas fontes não é recomendável para a credibilidade dos meios de comunicação. Num golpe baixo ao influente jornal, Ferguson considerou que o que, na sua opinião, retira credibilidade aos jornais são pessoas como Jayson Blair - um jornalista do diário que inventava as suas fontes e histórias - e Judith Miller, que “embarcou” na teoria da Casa Branca, que afirmava que o Iraque teria armas de destruição maciça, alegação que acabou por nunca se provar.
O jantar anual dos correspondentes da Casa Branca começou em 1920 e já contou com a participação de numerosos presidentes.
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