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Página arquivada em: Notícias 26.04.2008 - 15h51 AFP, PÚBLICO | in PUBLICO | Foto: Siphiwe Sibeko/Reuters
Quatro semanas depois, a oposição do Zimbabwe confirmou hoje a sua vitória nas legislativas de 29 de Março, na sequência de uma nova contagem dos votos em 23 das 210 assembleias do país. “De acordo com as informações de que dispomos, o resultado das eleições de 29 de Março foi confirmado. Nada se alterou no conjunto de assembleias de voto”, garantiu o porta-voz do Movimento para a Mudança Democrática (MDC), Nelson Chamisa.
Contudo, a Comissão Eleitoral do Zimbabwe (ZEC) disse não estar ainda em condições de anunciar os resultados finais, mesmo depois da nova contagem. Ainda assim o diário “The Herald” avançou que os resultados já são definitivos em sete das zonas em causa.
Depois das legislativas, a comissão tem vindo a anunciar a conta-gotas os resultados das votações, acabando por dar a 2 de Abril a vitória ao MDC, com 109 das 210 assembleias. De acordo com estes resultados, 97 das assembleias retornavam ao partido do presidente Robert Mugabe, a União Nacional Africana do Zimbabwe – Frente Patriótica, que detinha a maioria deste a independência da antiga Rodésia do Sul, uma colónia britânica, em 1980.
Os resultados da corrida presidencial entre o chefe de Estado Robert Mugabe, de 84 anos, e o líder do MDC, Morgan Tsvangirai, de 56 anos, não são, portanto, definitivos, mas a oposição desde o primeiro momento que reivindica a vitória e que acusa a comissão eleitoral de parcialidade e de apoio ao actual dirigente.
15 apoiantes da oposição mortos desde as eleições
Pelo menos 15 membros da oposição foram mortos desde as eleições, segundo Nelson Chamisa. “Até agora contabilizamos 15 baixas mas a chacina é provavelmente maior pois nas aldeias as pessoas estão a ser enterradas”.
Neste balanço feito pelo porta-voz do MDC incluem-se as dez pessoas mortas pelo regime do presidente Mugabe, apesar do Governo continuar a negar qualquer campanha de repressão, dizendo que as milícias existem apenas no “imaginário” da oposição.
Uma das últimas vítimas dos confrontos foi ontem abatida a tiro em Makoni, distrito no qual tinha sido eleita deputada pelo MDC. De acordo com a mesma fonte, “diversas pessoas foram levadas para um campo por homens com uniformes militares e, quando outros habitantes tentaram pedir a sua libertação foram abatidos”. Por isso, o MDC insiste que esta é a prova de que Mugabe quer manter-se no poder a todo o custo.
De acordo com a polícia, 215 pessoas foram interrogadas durante uma incursão das forças de segurança realizada ontem à sede do MDC em Harare. O objectivo seria apurar eventuais envolvimentos dos militantes em actividades criminosas.
Grã-Bretanha apela à intervenção das Nações Unidas
A Grã-Bretanha lamentou hoje a onda de violência que se está a viver no Zimbabwe e pede às Nações Unidas que intervenham no país, para defesa dos direitos humanos.
O primeiro-ministro Gordon Brown, que mantém um embargo de armas ao partido de Mugabe, garantiu mesmo que o seu país fará um esforço para desenvolver e melhorar as relações diplomáticas com o Zimbabwe, em nome dos direitos humanos, antes de uma reunião do conselho de segurança das Nações Unidas.
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