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Página arquivada em: Notícias 30.04.2008 - 10h08 PÚBLICO | in PUBLICO | Foto: Armando Munguambe (arquivo)
Aníbal dos Santos Júnior (”Anibalzinho”), que está a cumprir pena de 30 anos pelo assassínio do jornalista moçambicano Carlos Cardoso, em 2000, alterou esta semana o seu depoimento e disse que o crime foi ordenado pelo filho mais velho do então Presidente de Moçambique Joaquim Chissano, Nyimpine Chissano, que entretanto faleceu, vítima de um ataque cardíaco, em Novembro.
O condenado não explicou por que é que o filho do chefe de Estado pretenderia a morte do jornalista. Limitou-se a falar do dinheiro que inicialmente recebera e que seria apenas um adiantamento em relação a uma soma muito maior, que no entanto não especificou.
“Anibalzinho” está actualmente a ser julgado por outro crime, a tentativa de assassínio do advogado Albano Silva, em 1999. Queixou-se do facto de a sua cela não ser dotada de rádio nem de televisão.
Enquanto isto, a Amnistia Internacional revelou num relatório toda a extensão da violência policial em Moçambique, dizendo que os guardas chegam a matar e a torturar pessoas com impunidade quase total. O país tem um elevado índice de criminalidade, numerosos casos emperrados no sistema judicial e relatos de violência ocasional contra a polícia por parte de criminosos.
Tem havido muitos casos em que o uso excessivo de força pela polícia levou à morte, como quando em 5 de Fevereiro foram feitos disparos contra pessoas que se manifestavam contra o aumento do preço dos transportes na cidade de Maputo. Resgistaram-se pelo menos três óbitos e 30 feridos.
No dia 14 de Agosto do ano passado, a polícia levou Abrantes Afonso Penicela de sua casa, deu-lhe uma injecção tóxica e conduziu-o a uma zona remota, onde o espancou até ficar inconsciente. Depois alvejou-o a tiro e pegou-lhe fogo, e só com muita dificuldade sobreviveu algumas horas, relata a Amnistia Internacional. O tempo suficiente para contar o que lhe acontecera.
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