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Alimentação: Presidente senegalês defende extinção da FAO

A actual crise alimentar está a preocupar os dirigentes africanos05.05.2008 – 20h04 Agências | in PUBLICO | Foto: Romeo Ranoco/Reuters (arquivo)

O Presidente senegalês, Abdoulaye Wade, defendeu hoje a extinção da Organização para a Agricultura e Alimentação (FAO) das Nações Unidas, que classificou como um “desperdício de dinheiro”, sustentando que a actual crise alimentar mundial prova “o fracasso” da agência.

Num discurso transmitido ontem pela televisão e rádio públicas senegalesas, Wade apelidou a organização, criada em 1945, de “buraco sem fundo” que gasta “a maioria do dinheiro no seu próprio funcionamento e com muito poucas operações eficazes no terreno”.

Apesar dos elogios ao actual director-geral da FAO, o seu compatriota Jacques Diouf, o Presidente senegalês diz que a falta da eficácia da agência – com actividades que se sobrepõem a outras organizações “aparentemente mais eficazes” – deve ser sublinhada. A subida do preço dos bens essenciais a nível mundial “é em larga medida um fracasso seu”, diz.

O octogenário Presidente senegalês lembrou que há muitos anos defende a transferência da sede da FAO de Roma para um país africano, alegando que “nada justifica a sua presença hoje num país desenvolvido”. “Desta vez é preciso ir mais longe, é necessário suprimi-la”, declarou.

Wade, que lidera um país ainda muito dependente das importações de géneros alimentares, propõe uma política internacional que aposte mais em tornar auto-suficientes os países mais pobres. “A política alimentar em que a palavra “alimentar” significa “caridade” está desactualizada. Devemos abandoná-la em favor de um política de ajuda à auto-suficiência”, explicou.

O Presidente senegalês sugere que esta tarefa seja atribuída ao Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola, também da ONU, “que se poderia assumir como um fundo mundial de assistência à agricultura, com sede obrigatória em África”. No centro das suas prioridades estaria “o investimento inovador na agricultura” do continente, através do financiamento e apoio aos camponeses para a compra de sementes, fertilizantes e o desenvolvimento de técnicas de irrigação.


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