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Página arquivada em: Notícias 06.05.2008 - 20h56 Agências | in PUBLICO | Foto: David Moir/Reuters
O primeiro-ministro irlandês, Bertie Ahern, oficializou hoje a sua demissão do cargo que ocupava há onze anos. Na despedida, mostrou-se convencido que o Tratado de Lisboa será ratificado pelos eleitores no referendo agendado para Junho.
Ahern, um dos dirigentes europeus há mais tempo em funções, anunciou no mês passado a decisão de renunciar ao cargo para que fora reeleito nas legislativas do ano passado. O ainda primeiro-ministro disse querer evitar que o escândalo de corrupção em que se viu envolvido prejudicasse a campanha a favor da ratificação do novo tratado europeu.
Esta tarde, o “taoiseach” (primeiro-ministro irlandês) deslocou-se à sede da presidência para entregar o pedido de demissão à chefe de Estado, Mary MacAleese, que a aceitou de imediato.
O actual vice-primeiro-ministro e ministro das Finanças, Brian Cowen, vai substituir Ahern na chefia do Governo, estando a transição apenas condicionada à aprovação na Dail, a câmara baixa do Parlamento de Dublin, que se pronunciará amanhã.
A primeira tarefa de Cowen passa, assim, por garantir a ratificação do Tratado de Lisboa, um passo que é aguardado com grande expectativa na União Europeia, já que a República da Irlanda será o único dos 27 Estados-membros a submeter o diploma a referendo, numa votação agendada para o dia 12 de Junho.
Hoje, em entrevista ao “Irish Times”, o primeiro-ministro demissionário disse estar “convencido de que a ratificação do tratado é imperativa para o progresso social e económico da população irlandesa”, lembrando que foi graças ao mercado europeu que a Irlanda se transformou “numa das economias mais dinâmicas do mundo”.
Apesar de quase todos os partidos com assento parlamentar defenderem a ratificação do tratado, sondagens recentes indicam que os eleitores irlandeses permanecem indecisos e que apenas cinco por cento dizem compreender o significado do novo diploma.
Ahern recorda acordos de paz de 1998
No seu último dia à frente do Governo irlandês, Bertie Ahern presidiu à inauguração de um centro de interpretação da Batalha de Boyne, onde em 1690 o rei católico irlandês foi derrotado pelo adversário protestante. A batalha é considerada um momento fundador das identidades católica e protestante na ilha, na base de uma guerra que levaria à separação das duas Irlandas (em 1922) e a um conflito que nas últimas três décadas do século passado provocou mais de 3600 mortos na Irlanda do Norte.
Na cerimónia esteve presente o actual chefe do governo autónomo do Ulster, o protestante Ian Paisley, que durante décadas recusou qualquer diálogo com os vizinhos republicanos do Sul.
A inauguração conjunta, símbolo da reconciliação entre católicos e protestantes, pareceria impossível antes da assinatura dos acordos de paz de 1998, que puseram fim ao conflito na Irlanda do Norte e de que Ahern foi um dos principais artífices. Evocando os progressos conseguidos desde então, Paisley disse que “os tempos de massacres devem ser enterrados de uma vez por todas” e não deve ser dada “qualquer tolerância àqueles que defendem o seu regresso”. Por seu lado, pediu a católicos e protestantes para “viverem em paz” e esquecerem as divisões que minaram a ilha.
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