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Página arquivada em: Notícias 06.05.2008 - 11h03 AFP | in PUBLICO | Foto: Soinam Norbu/Reuters
A China estimou hoje que uma continuação do diálogo com os emissários do Dalai Lama depende da “sinceridade” do chefe espiritual dos tibetanos, que vive no exílio.
“Quero sublinhar que os contactos em curso não são mais que um ponto de partida”, declarou o porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros, Qin Gang.
“Os contactos do governo central com o Dalai Lama são sinceros. Se o Dalai Lama nos provar que também está a ser sincero, em particular através das suas acções, então os contactos vão continuar a desenrolar-se”, acrescentou.
O encontro de domingo, que se desenrolou à porta fechada, no sul da China, foi o primeiro - conhecido e tornado público - entre as duas partes, em cerca de um ano. O encontro ocorreu após duas semanas de pressões internacionais sobre Pequim, depois das manifestações e consequentes repressões chinesas no Tibete.
Hoje, de passagem por Hong Kong, um dos dois emissários do chefe espiritual dos tibetanos no exílio, Lodi Gyari, estimou que o encontro foi um “bom primeiro passo”. “Tivémos discussões muito francas”, disse Gyari no aeroporto de Hong Kong, pouco antes de partir para a Índia, onde se irá encontrar com o próprio Dalai Lama.
Pequim tinha proposto em final de Abril renovar o diálogo com os representantes do líder espiritual tibetano, após manifestações em todo o mundo contra a repressão chinesa no Tibete, que perturbou o percurso da chama olímpica e manchou a imagem de Pequim a poucas semanas do início dos Jogos Olímpicos.
O movimento anti-chinês começou no dia 10 de Março em Lhasa, jornada que marcava o aniversário de uma revolta contra Pequim, em 1959, antes de ser violentamente reprimido por Pequim, no dia 14 de Março, e de se estender a outras regiões fronteiriças onde vivem minorias tibetanas. Pelo menos 203 pessoas morreram nos confrontos, segundo exilados tibetanos, enquanto Pequim acusa os amotinados tibetanos de terem morto 18 civis e dois polícias.
A China acusa igualmente o Dalai Lama de ter organizado estes confrontos para sabotar os Jogos Olímpicos de Agosto próximo e de querer a independência do Tibete.
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