Birmânia: diplomatas americanos admitem mais de cem mil mortos no ciclone Diário de Viagens

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Birmânia: diplomatas americanos admitem mais de cem mil mortos no ciclone

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Em vastas áreas do país, a população não tem acesso a água potável ou comida07.05.2008 – 21h04 AFP, Reuters | in PUBLICO | Foto: Sukree Sukplang /Reuters

Diplomatas norte-americanos na Birmânia admitem que o número de vítimas mortais do ciclone que atingiu a Birmânia no último fim-de-semana poderá superar os cem mil, o que faria deste desastre natural um dos mais mortíferos das últimas décadas.

“As informações que estamos a receber indicam que poderão existir bem mais de cem mil mortos na área do delta de Irrawaddy, a que terá sido mais atingida pelo ciclone “Nargis”, adiantou Shari Villarosa, encarregada de negócios da embaixada norte-americana em Rangum, numa declaração aos jornalistas por telefone.

Este balanço faria do “Nargis” o mais mortífero ciclone a atingir a região desde 1991, altura em que 143 mil pessoas perderam a vida no vizinho Bangladesh.

A diplomata diz que estes números não foram ainda confirmados, baseando-se apenas em cálculos de uma organização não-governamental estrangeira que opera no país e que optou por não identificar.

Contudo, Villarosa sublinha que os últimos números divulgados pelo Governo – perto de 23 mil mortos e mais de 40 mil desaparecidos – deixam antever um balanço próximo das 70 mil vítimas mortais, a grande maioria na zona do delta, principal zona produtora de arroz do país.

“A situação no delta parece cada vez mais horrorosa” à medida que os sobreviventes vão sendo retirados da zona e relatam o cenário que ali se vive, explicou a diplomata. Milhares de pessoas, afirma, terão perdido a vida enquanto dormiam nas suas casas, devastadas pela enorme onda criada pelo ciclone e que sábado varreu zonas costeiras e ribeirinhas.

O acesso à região continua a ser muito difícil, pois a maioria das estradas permanece alagada e muitas pontes foram destruídas. Os helicópteros militares são, muitas vezes, o único meio para resgatar sobreviventes e levar comida às áreas afectadas.

Na área de Rangum, as 600 a 700 mortes terão sido causadas, na grande maioria, pelos ventos fortes que derrubaram casas e árvores, lançando destroços a grande distância.

As inundações e os muitos cadáveres que permanecem por recolher nas zonas alagadas constituem focos de contaminação e em vastas regiões do país a população não tem acesso a água potável ou alimentos.

A difícil situação que se vive no país, denunciada pela oposição democrática, está a levar a comunidade internacional a pressionar a Junta Militar birmanesa a autorizar a entrada de ajuda humanitária. Até ao momento, Rangum apenas aceitou a ajuda da China e Tailândia e hoje anunciou que permitirá a entrada no país de um avião da ONU com ajuda humanitária e uma equipa do Departamento de Coordenação dos Assuntos Humanitários (Ocha).

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