
Página arquivada em: Notícias 08.07.2008 - 16h44 AFP | in PÚBLICO | Foto Carlos Barria/Reuters (arquivo)
O Governo iraquiano recusa assinar um acordo que permitirá enquadrar a presença norte-americana no Iraque depois de 2008, enquanto Washington se recusar a apresentar um calendário para a retirada total das suas tropas do país.
“Não aceitaremos nenhum memorando de acordo se não apresentarem uma data específica para a retirada completa das tropas estrangeiras do Iraque”, declarou Muaffak al-Rubai, conselheiro de segurança nacional do Governo iraquiano.
O conselheiro sublinhou que o que está em causa é “uma retirada total de todas as tropas estrangeiras”, um assunto que admite ser “difícil”, mas que Bagdad considera essencial para um entendimento a médio prazo com Washington.
“O Governo iraquiano fala de uma data, os americanos tem a sua data e, até ao momento, não chegámos a acordo sobre este problema”, explicou Rubai, depois de um encontro com o “ayatollah” Ali al-Sistani, a mais importante figura do xiismo iraquiano.
O primeiro-ministro iraquiano, Nuri al-Maliki, exigiu ontem, pela primeira vez, que a Administração norte-americana apresente um calendário para a retirada das tropas que mantém no país desde 2003.
A Casa Branca garante, porém, que não vai negociar uma data específica para a retirada – um dos temas quentes da política americana e que promete dominar a campanha para as presidenciais. A presidência americana sublinha que George W. Bush sempre recusou fixar um calendário, por considerar que o repatriamento dos soldados deve estar condicionado à evolução da situação no terreno e que essa uma avaliação deve ser feita comandantes militares.
O movimento do líder radical xiita Moqtada al-Sadr, crítico da presença militar americana no Iraque, anunciou que vai apoiar o Governo nesta exigência, sublinhando que a proposta dos EUA representaria um instrumento de “escravatura eterna” para o Iraque.
Em Novembro do ano passado, Bush e Maliki comprometeram-se a assinar, até ao final de Julho, um novo acordo que enquadre a presença, a médio prazo, das tropas estrangeiras no país. O acordo deverá entrar em vigor no início do próximo ano, substituindo o quadro legal fixado pela resolução da ONU que regula a presença no país da coligação militar – composta essencialmente por militares americanos.
Contudo, as negociações estão actualmente num impasse, já que os líderes iraquianos se opõem a vários dos aspectos previstos na proposta de cooperação norte-americana, como a instalação de bases militares permanentes no país ou o controlo do espaço aéreo iraquiano pela Força Aérea americana.
Os iraquianos exigem também a definição de um calendário para a retirada militar e o fim da imunidade judicial concedida às dezenas de empresas de segurança privada a operar no Iraque – um assunto que terá merecido o aval de Washington na semana passada.
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