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Página arquivada em: Notícias 07.08.2008 - 14h24 AFP | in PUBLICO
Uma marcha de apoio aos golpistas que ontem derrubaram o Presidente da Mauritânia, Sidi Ould Cheikh Abdallahi, reuniu hoje várias centenas de veículos e um milhar de pessoas no centro de Nouakchott, avança a AFP.
Os manifestantes gritavam “Aziz! Aziz!”, o nome do general Mohamed Ould Abdelaziz, chefe da guarda presidencial que levou a cabo o golpe de Estado, pouco depois do anúncio do seu afastamento pelo Presidente, ontem de manhã.
A marcha, que começou na zona do aeroporto, chegou por volta 11h00 locais (12h00 em Lisboa) às imediações do palácio presidencial.
Retratos gigantes do novo homem forte, em uniforme bege, foram colocados em diversos pára-brisas de viaturas que participaram no desfile.
Os manifestantes reclamaram “uma solução urgente para os problemas sócio-económicos” do país, fragilizado pela crise alimentar mundial.
Durante a noite passada, um conselho de três generais e oito coronéis, dirigidos pelo general Ould Abdelaziz, divulgaram um comunicado pela rádio nacional proclamando que o Alto Conselho de Estado das Forças Armadas e da Segurança “meteu um fim ao poder” do Presidente.
Sidi Mohamed Ould Cheik Aballahi, o primeiro Presidente democraticamente eleito desde a proclamação da independência da Mauritânia, em 1960, um economista de 70 anos, foi ontem derrubado, ao fim de pouco mais de um ano no lugar, pelos generais que horas antes afastara da chefia do Estado-Maior do Exército e de outros cargos.
A próxima eleição presidencial será “provavelmente” organizada dentro de dois meses, mantendo-se a Assembleia Nacional em funções.
A União Africana, a União Europeia, os Estados Unidos e a ONU condenaram o golpe; e a Nigéria, que é o mais populoso país da África, declarou que não reconhecerá o Conselho de Estado, a ser constituído em princípio por 13 ou 14 pessoas.
06.08.2008 - 15h45 AFP | in PUBLICO
A União Africana e a Comissão Europeia condenaram o golpe de Estado na Mauritânia, e Bruxelas ameaça mesmo suspender a ajuda financeira ao país se os militares não regressarem aos quartéis e libertarem o Presidente e o primeiro-ministro.
Sidi Ould Cheikh Abdallahi, o primeiro Presidente democraticamente eleito do país, foi detido esta manhã na sua residência, em Nouakchott, por um grupo de militares revoltosos liderados pelo chefe da guarda presidencial, por ele demitido há alguns dias. O chefe de Estado foi levado para local desconhecido, enquanto o primeiro-ministro, também ele capturado pelos militares, foi levado para uma caserna perto do edifício da presidência.
De acordo com testemunhas, a situação no país permanece calma, mas a rádio e a televisão deixaram de emitir e o aeroporto de Nouakchott foi encerrado, mas as comunicações com o país não foram afectadas.
Reagindo ao golpe de Estado, a União Africana exigiu o rápido “restabelecimento da legalidade constitucional” na Mauritânia, recordando o seu envolvimento “no processo de transição notável que conduziu à criação de instituições democráticas no país em Maio de 2007”.
Também o comissário europeu para o Desenvolvimento, Louis Michel, condenou a intentona: “Esta situação põe em risco a nossa política de cooperação com a Mauritânia, no âmbito da qual acordamos com o Governo um programa de apoio de 156 milhões de euros para o período de 2008-2013, em complemento à ajuda já em curso”.
Louis Michel espera, por isso, um regresso à normalidade e “manifesta o desejo de que tanto o Presidente como o primeiro-ministro sejam rapidamente libertados e regressem às suas funções.”
Quatro golpes de Estado desde 1960
O golpe de Estado, o quarto após a independência do país, em 1960, ocorreu um ano e meio depois da eleição de Cheikh Abdallahi para a presidência do país, num processo visto como exemplar da transição democrática em países africanos.
Mas nos últimos meses a popularidade do Presidente foi sendo minada pela falta de progressos económicos e pelas acusações de falta de liderança até culminar, no início da semana, com a demissão de 48 dos deputados eleitos pelo partido de Cheikh Abdallahi.
A manobra foi atribuída ao general Ould Abdel Aziz, chefe da guarda presidencial, que o Presidente se apressou a demitir, juntamente com o adjunto Ould Mohamed Ahmed. Foram precisamente estes dois generais que esta manhã conduziram a detenção do chefe de Estado e declaram “nulas e sem efeito” as suas demissões, tendo anunciado que o poder será assegurado provisoriamente por um “Conselho de Estado”.
06.08.2008 - 11h36 AFP | in PUBLICO
O Presidente da Mauritânia, Sidi Ould Cheikh Abdallahi, e o primeiro-ministro, Yahya Ould Ahmed Waghf, foram detidos hoje de manhã em Nouakchott por militares, durante um golpe de Estado, avançaram fontes dos serviços de segurança, citados pela AFP.
O chefe de Estado, primeiro Presidente democraticamente eleito (em Março de 2007) desde a independência do país, em 1960, foi levado para um local desconhecido, e o chefe do governo levado para uma caserna perto do edifício da presidência, de acordo com as mesmas fontes.
A rádio e a televisão nacional deixaram de emitir depois dos militares terem expulsado os trabalhadores, indicaram testemunhas locais à AFP.
A Mauritânia atravessa actualmente uma grave crise política, marcada pela demissão, na segunda-feira, de 48 parlamentares do partido presidencial.
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