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Jogos Olímpicos Pequim 2008, activistas detidos por se manifestarem a favor da independência do Tibete

Os protestos eclodiram em Março em Lhasa, capital tibetana, para voltar a reclamar a independência da província chinesa06.08.2008 – 10h36 Lusa | in Publico

Quatro activistas estrangeiros manifestaram-se hoje a favor da independência do Tibete perto do Estádio Nacional, cinco meses depois das revoltas de Lhasa e a dois dias da inauguração dos Jogos Olímpicos (JO), informou a agência noticiosa oficial chinesa.

O grupo Estudantes para um Tibete Livre (Students for a Free Tibet, em inglês) afirmou que quatro activistas do Reino Unido e dos Estados Unidos conseguiram hastear bandeiras do Tibete e desenrolar duas faixas de 13 metros quadrados nas proximidades do Estádio Nacional, conhecido por Ninho de Pássaro.

O grupo de activistas divulgou fotografias dos seus representantes a prenderem as faixas a postes de electricidade com a Aldeia Olímpica ao fundo.

As faixas apresentavam o lema dos JO escrito em inglês e as palavras de ordem a favor da independência do Tibete: “One World, One Dream: Free Tibet” e “Tibet Will Be Free” (em português – “Um mundo, Um sonho: Tibete Livre” e “O Tibete será livre”).

“Dias antes do início dos JO e quando todos os olhos estão postos na China, apelamos ao mundo para que se lembre que milhões de tibetanos estão a gritar pelos Direitos Humanos e pela liberdade”, afirmou Tenzin Dorjee, director delegado do grupo.

A manifestação durou cerca de uma hora até à chegada das autoridades chinesas que retiraram as faixas, segundo um comunicado do grupo.

De acordo com a agência Nova China, os quatro manifestantes, três homens e uma mulher – que entraram na China com vistos de turistas – foram presos 12 minutos depois do início do protesto.

As autoridades de Pequim impuseram fortes medidas restritivas no acesso ao perímetro da Aldeia Olímpica na zona norte da cidade, justificando o reforço da segurança com a possibilidade de ocorrência de ataques terroristas.

Alguns críticos e especialistas afirmaram em várias ocasiões que as medidas de segurança também se destinavam a travar quaisquer protestos anti-China.

Os activistas que procuram pressionar a China para mudar a sua política em matéria de direitos humanos prometeram utilizar os JO, que começam na sexta-feira, para chamar a atenção internacional para a questão.

Esta acção de protesto foi a primeira manifestação por parte de activistas perto da Aldeia Olímpica tão perto do arranque do evento desportivo.

O Tibete, a região dos Himalaias conhecida como “tecto do mundo” é governado pelo Partido Comunista chinês desde 1951.

Grupos de tibetanos acusam Pequim de uma repressão política, religiosa e cultural, enquanto a China insiste que tem contribuído para o desenvolvimento económico-social da região.

Protestos pacíficos eclodiram em Março em Lhasa, capital tibetana, para voltar a reclamar a independência da província chinesa.

Mas uma onda de violência acabou por se espalhar pela cidade e pelas regiões vizinhas, resultando na morte de 203 pessoas, segundo o governo tibetano no exílio devido à repressão chinesa para travar os protestos. A China mantém que agiu com contenção e que apenas um tibetano morreu na acção policial levada a cabo.

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