Jogos Olímpicos Pequim 2008: COI afirma que vai levar “muito a sério” questão da censura durante os Jogos


30.07.2008 – 10h36 Lusa |in Publico
A decisão de Pequim de quebrar a promessa de liberdade de acesso à Internet para os meios de comunicação estrangeiros está a “decepcionar” o Comité Olímpico Internacional (COI), que analisará “seriamente” a questão, afirmaram hoje representantes da organização.
“É realmente uma decepção”, afirmou John Coates, Chefe da Missão Australiana a Pequim, que também é membro do COI.
“Penso que é um assunto que o COI vai levar muito a sério”, acrescentou Coates aos jornalistas no centro de imprensa olímpico em Pequim.
Coates referiu que o Presidente do COI, Jacques Rogge, e o director de imprensa do Comité, Kevan Gosper, vão ter “discussões muito sérias com as autoridades chinesas” acerca deste assunto.
Mas Coates duvidou do poder ou influência do COI para convencer as autoridades chinesas a concederem livre acesso à Internet aos jornalistas estrangeiros.
“Não sei o que é que os líderes do COI podem fazer acerca desta questão”, disse.
Kevan Gosper, responsável pelo gabinete de imprensa do COI, reconheceu que está a par do problema e que vai conversar com as autoridades chinesas acerca do assunto.
“Eu ouvi que há algumas limitações ao acesso”, afirmou Gosper, explicando que vai dialogar com as autoridades chinesas para aconselhá-las quanto às restrições e ver qual é a sua reacção.
Numa entrevista à imprensa estrangeira há duas semanas, Rogge insistiu que não ia existir censura na Internet durante os Jogos Olímpicos (JO).
“Pela primeira vez, os meios de comunicação estrangeiros poderão trabalhar com liberdade e publicar o seu trabalho livremente na China”, afirmou na ocasião.
“Não haverá censura na Internet”, assegurou Rogge.
Mas Sun Weide, porta-voz da Comissão Organizadora dos Jogos (BOCOG, na sigla em ingês), confirmou hoje que os jornalistas estrangeiros que já estão a trabalhar nos locais olímpicos não tinham acesso a várias páginas de Internet como as que contêm referências ao movimento espiritual Falungong, que é proibido na China.
Os jornalistas que trabalham no principal centro reservado à imprensa durante os JO já se queixaram que não podem aceder aos sites da organização Amnistia Internacional, da BBC, da rádio alemã Deutsche Welle, bem como dos jornais de Hong-Kong “Apple Daily”, e de Taiwan “Liberty Times”.
“A nossa promessa foi que os jornalistas poderiam utilizar a Internet para o seu trabalho durante os JO”, observou Sun.
“Portanto, nós concedemos acesso suficiente para isso”, concluiu.
Mas na candidatura à organização dos JO de Pequim, a China prometeu acesso total à Internet para os milhares de repórteres que são esperados na capital chinesa para fazer a cobertura do evento desportivo.
Em várias ocasiões, sob pressão do COI, a organização dos Jogos reiterou as promessas de acesso completo à Internet para os jornalistas na China entre 08 e 24 de Agosto.
Hoje o BOCOG confirmou que a China vai quebrar a promessa chinesa de total liberdade de imprensa durante o acontecimento desportivo do ano.
As autoridades chinesas controlam o acesso à Internet com a chamada “Great Firewall of China” que bloqueia a informação que o Partido Comunista considera imprópria, não saudável ou uma ameaça à sua governação.
A Amnistia Internacional descreve a China como “um dos maiores inimigos da Internet no Mundo”.
No ano passado, com a aproximação dos JO, a China introduziu novos regulamentos que aliviavam a censura à liberdade de imprensa dos meios de comunicação estrangeiros.
Mas aos jornalistas que trabalham a partir da China, em condições de forte censura, não foi permitida maior liberdade para a realização do seu trabalho nem prometido acesso mais amplo à Internet durante os Jogos.
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