Gaza, Bombardeamentos israelitas provocam cerca de 200 mortos


27.12.2008 – 16h53 |in PÚBLICO
Os serviços médicos palestinianos confirmam que pelo menos 200 pessoas, metade das quais membros das forças armadas do Hamas, morreram esta manhã num bombardeamento maciço da aviação israelita contra a Faixa de Gaza, naquele que é já o pior ataque infligido àquele território nas últimas décadas. A comunidade internacional pede o fim das hostilidades, mas Israel avisa que continuará a ofensiva pelo tempo “que for necessário”.
“Os ataques fizeram 205 mortos e centenas de feridos”, afirmou Mouawiya Hassanein, chefe dos serviços de emergência na Faixa de Gaza, em declarações à AFP, sublinhando que se trata de um balanço ainda provisório, tanto mais que a aviação israelita continua a atacar, ainda que de forma esporádica, alvos no território.
Uma outra fonte dos serviços hospitalares, citada pela Reuters, dava conta de 195 mortos confirmados e centenas de feridos. Por seu lado, o Hamas confirma que pelo menos uma centena de agentes das suas forças foram mortos nos bombardeamentos da manhã, incluindo o comandante da unidade de segurança e protecção Tawfiq Jabber.
A Reuters recorda que uma ofensiva de cinco dias contra aquele território, em Março passado, provocou 120 mortos, mas é preciso recuar até à primeira Intifada (década de 1980) para se assistir a um ataque tão sangrento contra alvos palestinianos, havendo mesmo notícias que a Faixa de Gaza não era visada por uma operação tão violenta desde a Guerra dos Seis Dias, em 1967.
Forças do Hamas na mira da aviação
Quartéis e esquadras da polícia, campos de treino, edifícios onde funcionavam serviços do Hamas e rampas de lançamento de “rockets” foram os alvos preferenciais dos cerca de cem mísseis e bombas lançados pelos aviões e helicópteros de combate israelita.
A Reuters adianta que o complexo presidencial de Gaza (tomado em Junho de 2007 pelo Hamas às forças da Fatah) e o porto da cidade foram também visados nos ataques que, segundo a edição online do diário “Haaretz”, visaram meia centena de alvos apenas na primeira vaga do raide. Fontes do movimento islamista referem que uma escola foi atingida e, entre as vítimas, contam-se pelo menos 15 mulheres e crianças.
O movimento, que controla há ano e meio o território, revelava ao início da noite que todos os edifícios onde estavam instalados as suas forças de defesa foram destruídos, incluindo um quartel atingido pelos mísseis a meio da manhã, quando decorria uma cerimónia de graduação de novos agentes. Dezenas de feridos foram evacuados para os hospitais, mas horas mais tarde ainda eram visíveis corpos abandonados no local.
Israel ameaça continuar operação
Com dificuldades em socorrer todos os feridos, o Hamas exigiu ao Governo israelita que ponha fim ao “massacre”, mas pouco depois de anoitecer voltaram a ouvir-se em explosões na Faixa de Gaza.
O Governo israelita garante que o seu objectivo era destruir a “infra-estrutura terrorista” que desde o fim da trégua patrocinada pelo Egipto (no dia 19 deste mês) foi responsável pelo disparo de dezenas de “rockets” contra o seu território. “Há um tempo para a calma e um tempo para lutar. Agora chegou o tempo de lutar”, afirmou o ministro da Defesa, Ehud Barak, garantindo que, apesar de não existir qualquer intenção de reocupar a Faixa de Gaza, irá prolongar-se pelo tempo que “for necessário”.
Por seu lado, a chefe da diplomacia israelita, Tzipi Livni, candidata do partido no poder às eleições legislativas de 10 de Fevereiro, pediu à comunidade internacional para apoiar os esforços de Israel “contra uma organização islamista que está a ser apoiada pelo Irão”.
No entanto, o seu apelo parece não surtir efeito e, esta tarde, o secretário-geral das Nações Unidas juntou-se às potências internacionais e aos países árabes para pedir um “fim imediato das hostilidades”. Ban Ki-moon “está profundamente preocupado com a violência e o derramamento de sangue de hoje em Gaza e com a continuação da violência no Sul de Israel”, lê-se num comunicado da ONU, divulgado já depois de o Hamas ter pedido aos seus apoiantes para vingarem o ataque, enquanto o presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmoud Abbas, se multiplicava em contactos com vários países da região para conseguir a suspensão dos bombardeamentos.
As organizações humanitárias temem que a operação militar agrave a crise humanitária que afecta os 1,5 milhões de palestinianos que vivem naquele pequeno território, alvo de um bloqueio israelita desde que o Hamas (organização que não reconhece o Estado de Israel) tomou o poder na Faixa de Gaza.
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