Gaza, Luís Amado considera “desproporcionada” acção de Israel contra o Hamas

30.12.2008 – 11h01 |in PÚBLICO
O ministro dos Negócios Estrangeiros português, Luís Amado classificou ontem como “desproporcionada” a acção israelita em resposta aos ataques do Hamas e pediu que as acções de violência de ambas as partes cessem o mais brevemente possível.
Em declarações ontem à noite à SIC Notícias, Luís Amado pediu que “cessem as acções de violência por parte do Hamas e necessariamente também que a acção desproporcionada de Israel seja controlada”.
Ontem à tarde o Ministério dos Negócios Estrangeiros tinha já emitido um comunicado onde afirmava estar a acompanhar com “a maior preocupação” a situação em Gaza e dizia ainda apoiar “os esforços e as declarações da Presidência francesa do Conselho da União Europeia, que tem vindo a apelar à cessação das hostilidades”.
“Portugal não pode deixar de lamentar os actos violentos que têm levado à perda de inúmeras vidas e condena o lançamento de ‘rockets’ a partir de Gaza e as operações militares em larga escala desencadeadas por Israel” diz o comunicado.
Países da UE divididos
Luís Amado participa hoje numa reunião convocada pela Presidência francesa da UE para debater a crise no Médio Oriente, um encontro convocado pelo chefe da diplomacia francesa, Bernard Kouchner, que se realiza hoje em Paris.
Ontem a França já tinha também referido “o uso de força desproporcionado” por parte de Israel, opinião que também já tinha sido proferida pelo secretário-geral das Nações Unidas Ban Ki-moon. Mas Kouchner apelou ao cessar-fogo e ao fim da violência.
Já o ministro dos Negócios Estrangeiros checo, Karel Schwarzenberg, cujo Governo tomará a presidência europeia da UE já na próxima quinta-feira, dia 1 de Janeiro de 2009, afirmou, numa entrevista ao diário “Mlada Fronta Dnes”, que Israel tem todo o direito a defender-se.
“É preciso entender uma coisa: O Hamas aumentou o número de morteiros lançados contra Israel desde o fim do cessar-fogo a 19 de Dezembro. Já não se pode tolerar este comportamento. E porque é que sou um dos poucos a defender Israel?. Bom, estou a gozar o luxo de dizer a verdade. Mas sentir-me-ei muito feliz em ajudar os palestinianos”.
Mas Schwarzenberg não está só. Já ontem a chanceler alemã Angela Merkel disse que, no seu ponto de vista o único culpado da escalada de violência na faixa de Gaza é o Hamas.
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