Gaza, Israel rejeita trégua com o Hamas antes de atingir objectivos traçados

31.12.2008 – 15h51 |in publico
O Governo israelita rejeitou hoje as propostas internacionais para uma trégua permanente com o Hamas, optando por continuar a ofensiva até que “todos os objectivos” da operação sejam cumpridos. O Hamas anunciou, entretanto, estar disponível para suspender o disparo de “rockets” contra Israel se for levantado o bloqueio à Faixa de Gaza.
“Esta operação não foi lançada para a concluirmos quando continuam a ser disparados ‘rockets’ como aconteceu até aqui”, declarou o primeiro-ministro israelita, citado por um colaborador que participou na reunião do gabinete de segurança (que junta os principais ministros), que se prolongou por mais de seis horas e durante a qual foram ouvidos vários responsáveis militares.
Ehud Olmert alertou para o efeito que teria “uma chuva de ‘rockets’ contra Ashkelon”, importante cidade no Sul de Israel, “alguns dias depois de Israel ter cessado unilateralmente a ofensiva”. “Que efeito isso teria para o poder de dissuasão de Israel?”, questionou.
Vários actores internacionais, da União Europeia ao Quarteto para o Médio Oriente, passando pelos Governos da região apresentaram propostas para convencer o Governo israelita a cessar os raides aéreos contra a Faixa de Gaza que, em cinco dias, terão provocado perto de 400 mortos, um quarto dos quais civis, segundo estatísticas das Nações Unidas.
Contudo, o primeiro-ministro demissionário insiste que este não é o tempo para negociar: “Israel deu mostras de contenção durante anos” e “concedeu uma oportunidade à possibilidade de um cessar-fogo”, ao aceitar uma trégua de seis meses, mas “o Hamas violou-a”.
Olmert garante que “se as condições se alterarem e se existir uma solução diplomática que melhore a segurança no Sul” de Israel, o seu executivo vai “ponderá-la”. “Mas esse momento ainda não chegou”, insistiu.
Operação terrestre permanece uma opção
Já antes desta decisão, o gabinete de segurança tinha rejeitado uma proposta da presidência francesa da UE para um cessar-fogo de 48 horas, a fim de permitir a entrada de ajuda humanitária na Faixa de Gaza, pequeno território, onde residem 1,5 milhões de habitantes, sujeitos há anos e meio a um rigoroso bloqueio.Um responsável da diplomacia hebraica classificou a proposta como “irrealista”, pois exigia a suspensão dos raides aéreos “sem qualquer mecanismo que forçasse o Hamas a suspender o disparo de “rockets”. Em alternativa, o Governo israelita decidiu autorizar, esta tarde, a entrada na Faixa de Gaza de uma centena de camiões com ajuda humanitária.
Em sinal contrário, o gabinete de segurança aprovou a mobilização de mais 2500 reservistas, que se juntam aos 6500 chamados a servir no passado fim-de-semana, a maior parte dos quais está já estacionada na fronteira com a Faixa de Gaza, antecipando uma eventual incursão terrestre naquele território.
Hamas admite suspender disparos
Entretanto, a diplomacia russa anunciou hoje que o líder político do Hamas, Khaled Meshaal, se mostrou disponível para ordenar a suspensão do disparo de “rockets”, “com a condição que seja levantado bloqueio à Faixa de Gaza”.O reinício destes ataques, após o fim da trégua (a 19 deste mês) foi a causa invocada pelo Governo hebraico para justificar os raides aéreos que, só no primeiro dia, provocaram cerca de 200 mortos. Na última semana, têm caído em Israel entre 40 a 80 “rockets”, que provocaram a morte de três civis e de um soldado. Esta manhã, um “rocket” Grad atingiu a cidade de Beersheva, a 37 quilómetros de Gaza, uma zona que até agora se pensava fora do alcance deste tipo de projécteis.
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