Gaza, Israel não reconhece crise humanitária


01.01.2009 – 16h58 AFP, |in PÚBLICO
A ministra israelita dos Negócios Estrangeiros, Tzipi Livni, disse hoje em Paris que as tréguas propostas por França entre Israel e o Hamas não são necessárias porque não existe nenhuma crise humanitária na Faixa de Gaza. Já o Hamas veio desmentir um comunicado onde se mostrava disponível para aceitar tréguas “sob condições”.
“Israel tem vindo a fornecer ajuda humanitária à Faixa de Gaza”, garantiu a ministra israelita que se reuniu hoje com o ministro francês dos Negócios Estrangeiros, Bernard Kouchner, e que se deverá ainda encontrar com o Presidente Nicolas Sarkozy.
Segundo a Rádio Israel, Livni informou que Israel está a fornecer 70 por cento da electricidade consumida em Gaza e permitiu a entrada de 300 camiões com ajuda humanitária.
Há seis dias que Israel encerrou todos os pontos de passagem para aquele território, onde vivem 1,5 milhões de pessoas.
Hamas desmente aceitar tréguas “sob condições”
Esta tarde, o Hamas veio a público desmentir um comunicado divulgado antes onde dizia estar disponível para aceitar “sob condições” as propostas apresentadas pela União Europeia para umas tréguas com Israel.
“Era um falso comunicado, desprovido de qualquer verdade. Foi difundido por partes hostis a fim de semear a dúvida sobre as posições do Hamas”, declarou o porta-voz do movimento, Fawzi Barhoum, à AFP.
Em comunicado publicado na Internet, o movimento islamista apelou hoje aos palestinianos da Cisjordânia e Jerusalém-Este para um “dia da ira”, amanhã, com manifestações contra a ofensiva israelita na Faixa de Gaza. “Que amanhã seja um dia de solidariedade para com o nosso povo em Gaza e um dia de ira contra a ocupação sionista”, acrescentou o Hamas.
Desde que a ofensiva começou, no sábado, já morreram 400 palestinianos, entre os quais dezenas de civis. Hoje, o Exército israelita anunciou ter atacado 30 alvos do Hamas, como “ministérios”, um edifício do Parlamento, túneis de contrabando de armas e instalações de “fabrico de ‘rockets”. O dia fica marcado pelo lançamento de 40 “rockets” de Gaza para o Sul de Israel, tendo sido atingidas as cidades de Ashdod e Beersheva.
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