Gaza, Ministro israelita da Defesa defende alargamento das operações

28.12.2008 – 09h31 |in PÚBLICO
O ministro israelita da Defesa, Ehud Barak, declarou-se hoje satisfeito com o resultado das operações do Exército israelita contra o Hamas, na Faixa de Gaza, e defendeu o seu alargamento. Os ataques israelitas de ontem contra posições do grupo islamista, para os quais o Conselho de Segurança das Nações Unidas já pediu o fim imediato, já provocaram 271 mortos.
“O Exército israelita alargará e aprofundará as suas operações em Gaza sempre que necessário”, declarou Barak à imprensa antes da reunião semanal do governo israelita, em Jerusalém.
O ministro a Defesa declarou ainda a sua satisfação pelo resultado das operações, mas acrescentou que será uma tarefa difícil. “Devemos ter noção que não será [uma operação] de curta duração e que não será fácil, mas é preciso mostrar determinação”, afirmou.
Mais de 270 mortos
De acordo com o último balanço médico palestiniano, os ataques aéreos israelitas de ontem já fizeram 271 mortos, maioritariamente agentes do Hamas, e 620 feridos.
Quartéis e esquadras da polícia, campos de treino, edifícios onde funcionavam serviços do Hamas e rampas de lançamento de “rockets” foram os alvos preferenciais dos cerca de cem mísseis e bombas lançados pelos aviões e helicópteros de combate israelita.
O Hamas, que controla há ano e meio a Faixa de Gaza, apelou ontem – pela voz do seu líder do exílio, Khaled Meshaal – aos palestinianos para iniciarem uma terceira Intifada contra Israel, em retaliação pelos bombardeamentos.
A primeira Intifada (expressão árabe para “tremor”) marcou um período de sublevação popular iniciado em 1987, com confrontos diários nas ruas dos territórios ocupados, e só terminou com os acordos de Oslo, em 1993.
A segunda Intifada teve início em Setembro de 2000, quando o então candidato a primeiro-ministro, Ariel Sharon, visitou o Pátio das Mesquitas, em Jerusalém, uma ofensa para os palestinianos, que viram naquele gesto um indício da intenção israelita de continuar a ocupação dos territórios israelitas. A revolta foi esmagada na sequência de várias ofensivas militares e acabaria por perder força após a retirada israelita da Faixa de Gaza.
ONU pede fim das actividades militares
O Conselho de Segurança da ONU apelou hoje ao fim imediato de todas as actividades militares na Faixa de Gaza, numa declaração não compulsória.
O texto, lido pelo presidente em exercício do Conselho de Segurança, o embaixador da Croácia, Neven Jurica, após uma reunião de urgência, “apela ao fim imediato de toda a violência” e apela às partes envolvidas no conflito que ponham fim imediato a “todas as suas actividades militares”.
O texto não nomeia, porém, Israel nem o movimento Hamas.
Hoje já foram, porém, registados alguns ataques israelitas contra o campo de Jabaliya, no norte da Faixa de Gaza, e em Khan Younes, em Rafah, no sul do território, de acordo com várias testemunhas locais citadas pela AFP.
Os representantes dos 15 membros do Conselho de Segurança da ONU tinham começado ontem as suas consultas, à porta fechada, a pedido da Líbia.
Uma trégua de seis meses acordada entre o Hamas e Israel, com o patrocínio do Egipto, expirou no passado dia 19, e o movimento que controla a Faixa de Gaza anunciou que ela não seria prolongada, tendo em conta a continuação do bloqueio israelita ao território. Desde então, voltaram a ser disparados “rockets” contra o Sul de Israel, que ontem retaliou em força, atacando dezenas de alvos islamistas.
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