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Presidente da Síria revela que acordo para a retirada israelita dos Montes Golã esteve iminente

18.03.2009 – 10h44 PÚBLICO, com agências | in PUBLICO

Assad diz que os contactos foram interrompidos dias antes da ofensiva contra Gaza

O Presidente sírio revelou que o primeiro-ministro israelita aceitou retirar as suas tropas dos Montes Golã, no âmbito das conversações indirectas mediadas pela Turquia antes do lançamento da ofensiva israelita contra Gaza. Em entrevista ao jornal italiano “La Repubblica” Bashar al-Assad, disse ainda estar disponível para servir de mediador entre o Irão e o Ocidente.

Na conversa com os jornalistas italianos, Assad revelou que, antes dos raides aéreos lançados contra Gaza, a 27 de Dezembro, Israel e a Síria estiveram “a um passo” de um acordo de paz.

O Presidente israelita explicou que, durante as conversações indirectas, Ehud Olmert disse ao primeiro-ministro turco, Recep Erdogan, que estava disponível para abandonar a totalidade dos Montes Golã, ocupados por Israel durante a Guerra dos Sete Dias, em 1967. Assad revelou que, tudo se inclinava para um acordo, restando apenas finalizar a demarcação da futura linha de fronteira entre os dois países, mas nessa altura, o primeiro-ministro israelita pediu tempo para consultar o seu Governo. Quatro dias depois porém Israel lançou a ofensiva contra Gaza. Na sequência do ataque, Damasco cortou todos os contactos com Israel.

O Presidente sírio diz que está disponível para negociar com o próximo Governo, seja ele qual for, mas mostra-se pouco confiante quanto ao sucesso dos contactos. “O meu receio não é [o primeiro-ministro designado, Benjamin] Netanyahu, mas a viragem à direita da sociedade israelita que levou à vitória de Netanyahu. É este o maior obstáculo à paz”, sublinhou.

Mediador nas negociações com o Irão

Na mesma entrevista, Assad disse estar “disposto a servir de mediador [nas negociações] com o Irão, na condição de ser portador “de uma proposta precisa e concreta”. “Precisamos de um plano, de regras e de mecanismos precisos a apresentar a Teerão”, argumentou, sublinhando que a promessa de diálogo, por si só, não terá resultados.

Garantindo que ainda não teve “qualquer convite” para desempenhar o papel de mediador, Assad argumentou que “só com o diálogo se podem mediar os conflitos”. “A tentativa de isolar um país acabará sempre por fortalecê-lo e o Irão é um país importante, goste-se ou não”.

O Presidente sírio considera que “os primeiros passos” do seu homólogo americano Barack Obama são “encorajadores” e “com a retirada do Iraque, a vontade de paz e o encerramento de Guantánamo ele mostrou que é um homem de palavra”. Contudo, diz ser ainda muito cedo para avaliar se se trata de “uma viragem histórica”. “A única certeza é que depois da ‘noite’ que foi a Administração [Bush] regressou a esperança”.

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