Estados Unidos e Cuba 2009: Barack Obama quer mudar relação entre os dois países

18.04.2009 – 10h32 | in PUBLICO
O Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, aproveitou uma abertura extraordinária dos líderes cubanos, manifestada recentemente, para propor ontem conversações destinadas a quebrar 50 anos de hostilidades entre Washington e a Havana, na sequência da Guerra Fria.
Ao intervir na Cimeira das Américas, em Trinidade e Tobago, nas Caraíbas, o Presidente Obama declarou aos líderes do continente que pretende estabelecer “um novo começo” no relacionamento dos Estados Unidos com Cuba, reconhecendo os “erros” de sucessivas administrações norte-americanas, mas requerendo também gestos recíprocos por parte da ilha dos irmãos Castro.
A linguagem conciliatória levanta, segundo destaca a AFP, a perspectiva de os Estados Unidos encararem o fim dos seus 47 anos de embargo a Cuba, uma vez que ele foi impotente para derrubar um regime comunista de que Washington não gostava.
Outros participantes na cimeira, incluindo os dirigentes da Argentina, da Nicarágua e de Belize, traduziram o consenso geral existente na América a sul do Rio Grande de que o embargo deve acabar e Cuba ser readmitida em todos os organismos regionais.
Só hoje é que a cimeira deverá atingir o seu pleno, congregando 34 países que ao longo de três dias deverão debater em conjunto problemas energéticos, de meio ambiente e de segurança pública.
No entanto, o gesto de reconciliação avançado logo ontem por Barack Obama ofuscou todos os temas em agenda, tornando-se a notícia mais importante do primeiro dia de trabalhos.
“Estou preparado para empenhar a minha Administração num trabalho com o Governo cubano numa vasta gama de assuntos. Desde as drogas à migração e aos problemas económicos e aos direitos humanos, à livre expressão de pensamento e às reformas democráticas”, disse o presidente dos Estados Unidos da América.
A proposta surgiu depois de na quinta-feira o chefe do Estado cubano, Raúl Castro, ter confirmado encontrar-se disposto a debater “tudo” com Washington, incluindo especificamente os melindrosos assuntos dos direitos humanos, da liberdade de imprensa e dos presos políticos.
A única condição seria os Estados Unidos respeitarem a autodeterminação de Cuba e tratarem os seus representantes como iguais.
Já antes, o irmão mais velho de Raúl, o antigo Presidente Fidel Castro, ainda hoje chefe máximo do Partido Comunista de Cuba, dissera a um grupo de representantes norte-americanos desejar “ajudar” Obama a melhorar as relações com Cuba.
Depois destas aberturas de qualquer um dos dois irmãos, Obama, que no início da semana levou as restrições aos contactos dos cubano-americanos com a sua terra natal, afirmou que só falta agora a Havana dar alguns sinais concretos de que quer mesmo comprometer-se com um novo período das relações bilaterais.
O Presidente explicou que os Estados Unidos mudaram desde os dias da Guerra Fria e que pretendem agora “reconhecer os erros do passado”.
O Presidente da Venezuela, Hugo Chávez, o mais íntimo aliado de Cuba, deu ontem outro gesto de reconciliação, ao apertar a mão a Obama.
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