Eleições Irão 2009: O Governo do Irão está a perder a guerra da informação

17.06.2009 – 18h05 João Pedro Pereira | in PUBLICO
Numa tentativa de impedir a disseminação de informação sobre a revolta nas ruas de Teerão, as autoridades iranianas (que já controlam boa parte da imprensa do país) proibiram os jornalistas estrangeiros de relatar os protestos que decorrem na capital do Irão.
Muitos repórteres viram-se obrigados a regressar aos respectivos países porque os vistos de curta duração já expiraram e as autoridades não os renovaram. Outros estão confinados aos hotéis e redacções. Segundo vários correspondentes no local, há casos de jornalistas que estiveram detidos e alguns que foram agredidos pela polícia enquanto cobriam as manifestações.
Cadeias de televisão americanas e inglesas e jornais como o “Le Monde” e o britânico “The Times” estão a recorrer a informação enviada pelos próprios iranianos e publicam textos e imagens sem revelar os nomes de quem os envia.
A censura de Teerão estende-se também às redes de comunicação: os satélites responsáveis por emissões televisivas estão a ser alvo de interferências (a BBC é uma das estações que já se queixou) e as autoridades (que têm já um historial de cibercensura) tentam controlar as comunicações via Internet e telemóveis – mas com pouco sucesso.
Muitos iranianos continuam a usar a blogosfera, as redes sociais, o YouTube e o Twitter para dar conta dos acontecimentos e para colocar online fotos e vídeos das situações que os jornalistas já não conseguem captar, bem como para organizar os protestos.
Na era da informação em rede, o Governo de Teerão está a perder a guerra da informação. Em boa parte, graças ao Twitter, que se tornou uma das armas preferidas dos revoltosos e uma fonte importante para quem se queira manter actualizado – ao ponto de o Governo americano ter pedido ontem para o site adiar uma pausa para manutenção. A interrupção, de uma hora, acabou por ser feita entre a 1h30 e as 2h30 de quarta-feira, hora de Teerão.
Entretanto, estão a ser feitos vários ataques que visam inutilizar os sites oficiais iranianos. A técnica, frequentemente usada por piratas contra todo o tipo de sites, chama-se ataque de negação de serviço e consiste em fazer mais acessos a um site do que aqueles que este consegue aguentar.
Um destes ataques espalhou-se pelo Twitter sob a forma de um link para uma página Web, que contém uma espécie de janela para vários sites do Governo de Teerão.
Quando acede a essa página, o utilizador está a aceder simultaneamente a todos esses sites – e a página está programada para recarregar automaticamente, desde que o visitante mantenha a janela aberta. Quantas mais pessoas visitarem a página, maior é o número de pedidos de acesso.
Eleições Irão 2009: O Governo do Irão está a perder a guerra da informação
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