Eleições Irão 2009: Filhos do ex-Presidente Rafsanjani proibidos de sair do Irão

18.06.2009 – 14h36 PÚBLICO | in PUBLICO
Os filhos do ex- Presidente Ali Akbar Hashemi Rafsanjani, que estará a procurar apoios para afastar o Supremo Líder Ali Khamenei, foram impedidos de sair do país, anunciou a agência noticiosa semi-oficial iraniana Fars. Enquanto isto, milhares – há quem diga e o anuncie no Twitter que chegam a um milhão – de apoiantes de Mir-Hossein Mousavi estão no centro de Teerão, em sinal de luto pelos que morreram em confrontos com as autoridades.
Faezeh, filha de Rafsanjani, discursou aos apoiantes de Mousavi na terça-feira, quando se juntaram numa manifestação frente à televisão estatal. A Fars não adianta fontes para esta notícia, mas diz que 300 pessoas se manifestaram frente ao Ministério Público de Teerão exigindo que Faezeh e o seu irmão Mehdi fossem presos.
Julga-se que Rafsanjani, que é considerado um “fazedor de reis”, estará a tentar reunir apoios para depor o Supremo Líder. Não havia propriamente amizade entre os dois homnes, mas Rafsanjani ficou furioso quando o Presidente Mahmoud Ahmadinejad o acusou na televisão de corrupção.
Entrentanto, os rivais do Presidente Mahmoud Ahmadinejad nas eleições presidenciais, cujos resultados estão na origem dos protestos, serão ouvidos no sábado pelo Conselho de Guardiões. Os três candidatos foram convocados para uma “reunião de emergência”, num esforço para acabar com a maior revolta popular a que o Irão assistiu desde a Revolução Islâmica, em 1979, avançaram os media iranianos.
Alegadamente, terão sido apresentadas 646 queixas de fraude eleitoral pelos candidatos derrotados.
Nas ruas continua a manifestação de luto dos apoiantes de Mousavi pelos seus partidários mortos em confrontos com forças do regime.
O “New York Times” adianta que, apesar de não serem conhecidos os motivos e as condições do convite, esta é a primeira indicação pública de que as autoridades estão preparadas para algum tipo de diálogo político. Para os analistas, o encontro também pode ser uma forma de ganhar tempo, e esperar que as manifestações esmoreçam, avança ainda o diário.
A pedido do Supremo Líder “ayatollah” Ali Khamenei, o Conselho de Guardiões afirmou que irá proceder à recontagem dos votos em alguns locais. O facto de Khamenei ter saudado as presidenciais como um “grande épico” leva vários observadores a pensar que um novo escrutínio continua fora de causa.
Para além disso, a Assembleia de Peritos, o órgão religioso mais importante do país, também saudou hoje a participação maciça nas eleições, mas não disse uma palavra sobre a vitória de Ahmadinejad.
Apesar das agências noticiosas e órgãos de comunicação ocidentais não estarem autorizados a cobrir os acontecimentos, sabe-se que Mousavi estará na manifestação, juntamente com a sua mulher, Zahra Rahnavard .A Praça Imam Khomeini está apinhada de pessoas vestidas de negro e com velas, afirmaram algumas testemunhas à Reuters
Este é o sexto dia consecutivo de protestos na capital iraniana, contestando o resultado das eleições presidenciais de sexta-feira que deram uma vitória esmagadora a Ahmadinejad. O moderado Mousavi e os outros candidatos da oposição denunciam fraude e irregularidades. O também reformista Mehdi Karroubi juntou-se a Mousavi, tal como o ultraconservador Mohsen Rasai, na rejeição dos resultados e na exigência de um novo escrutínio.
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