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Eleições Irão 2009: Supremo Líder faz ultimato à oposição e arrisca nas ruas a sua legitimidade

Apoiantes com retratos de Khamenei e do fundador do regime, o 19.06.2009 – 21h43 Margarida Santos Lopes | in PUBLICO

O que vai acontecer no Irão depois de o “ayatollah” Ali Khamenei, Supremo Líder, ter feito um ultimato aos líderes da oposição para cessarem as manifestações ou assumirem a responsabilidade de um banho de sangue? O primeiro sinal de rebeldia foi dado por Mehdi Karroubi, único candidato mullah às presidenciais do dia 12, que sábado entrega uma carta ao Conselho dos Guardiões, exigindo a repetição das eleições.

A carta, colocada no site de Karroubi, diz: “Estou certo de que [os membros do Conselho] se lembram de que durante a sublevação contra o Xá nós fomos classificados como agentes de potências estrangeiras e acusados de sermos apoiados pela BBC. (…) Aceitem a vontade da nação iraniana e anulem o voto, para garantir a sobrevivência do regime.” O comentário é referência ao sermão que Khamenei fez ontem na Universidade de Teerão, onde culpou os EUA, a Grã-Bretanha e Israel de conspiração.

A presença de Karroubi — mas também de Mir-Hossei Mousavi e Mohammad Khatami — está prevista, mas não confirmada, numa manifestação proibida pelo governador de Teerão. Intitulada “Da Revolução à Liberdade”, numa referência ao ponto de partida (a Praça Enqelab) e ao ponto de chegada (a Praça Azadi), a “marcha pacífica” está marcada para sábado, às 16h00 locais. “Este será o dia que vai definir o destino do povo do Irão”, sublinha em comunicado o Partido da Frente Nacional, do defunto mas sempre popular Mohammed Mossadegh, o primeiro-ministro que a CIA e o MI6 derrubaram, em 1953, depois de nacionalizar a Anglo-Iranian Oil Company.

A adensar a tensão, o diário britânico The Guardian dá conta de divisões nas forças de segurança, em particular nos Guardas da Revolução. Estarão relutantes em disparar sobre civis. Há informações não confirmadas de que alguns já terão sido detidos por dissidência.

Noutro sinal de desafio, os estudantes da Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Teerão, cujos dormitórios foram brutalmente atacados pela milícia Bassij na segunda-feira, anunciaram que vão iniciar um sit-in por tempo indeterminado. A BBC admite que o recurso a greves poderá vir a ser “uma das cartas a jogar pela oposição”.

“Haverá sangue”, vaticina Parvez Sharma, realizador do filme “A Jihad for Love”, citado pelo jornal electrónico The Huffington Post. No entanto, se os manifestantes enfrentam a possibilidade de um massacre, Khamenei também arrisca a sua legitimidade. Ao exprimir ontem todo o seu apoio a Ahmadinejad, o “ayatollah” deixou de ser uma figura consensual, e isso pode pesar contra si na Assembleia de Peritos, o único organismo com poder para demitir o Supremo Líder — presidida pelo seu maior inimigo, Ali Akbar Hashemi Rafsanjani.

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