Eleições Irão 2009: Obama avisa o Irão que todo o mundo o está a observar

20.06.2009 – 20h41 Francisca Gorjão Henriques | in PUBLICO
O candidato derrotado nas presidenciais iranianas está “pronto para o martírio”. E pede aos milhares de apoiantes para fazerem uma greve nacional caso venha a ser detido. Mousavi não desiste de exigir a anulação das eleições enquanto a Casa Branca endurece o discurso, pedindo o fim da violência.
O Presidente norte-americano Barack Obama apelou ao fim da violência, subindo o tom das declarações dos últimos dias. “Apelamos ao Governo iraniano que acabe com todos os actos de violência e injustiça contra a sua própria população”, afirmou, citado num comunicado da Casa Branca.
“O Governo deve perceber que todo o mundo está a observá-lo. Choraremos cada uma das vidas inocentes que se perderem”, frisou o Presidente norte-americano.
Estas declarações surgiam enquanto na rua as forças de segurança tentavam calar as vozes dos manifestantes, o principal rival de Mahmoud Ahmadinejad na corrida eleitoral enviava uma carta ao Conselho dos Guardiões a dizer que as presidenciais têm de ser anuladas. “Estas medidas enfurecedoras [fraude eleitoral] foram planeadas meses antes da votação… Considerando todas as violações… a eleição deve ser anulada”, escreveu na missiva, publicada no seu site.
Mais tarde, uma fonte fazia eco das suas duras críticas ao discurso feito na véspera pelo Supremo Líder, ayatollah Ali Khamenei, que validou os resultados que estão a ser contestados pela oposição e deu todo o apoio a Ahmadinejad. Mousavi disse estar “sempre ao lado dos iranianos para defender os seus direitos”. E um dos seus “direitos inalienáveis” é precisamente ver anulado o escrutínio.
Canhões de água, bastonadas e gás lacrimogéneo: foi assim que ontem a polícia iraniana dispersou os protestos na capital.
Os manifestantes desafiaram a autoridade máxima do país e saíram à rua, como têm feito desde há uma semana. Mas em vez das centenas de milhar dos dias anteriores, contavam-se ontem entre dois mil e três mil pessoas.
Dos telhados de Teerão voltaram a ouvir-se gritos de “Alá é grande”, numa repetição do que aconteceu há 30 anos, quando a Revolução Islâmica derrubou o Xá. Mas o dia esteve longe de ser pacífico.
Era visível um enorme dispositivo de segurança, concentrado sobretudo na praça Enghelab (“Revolução”). Militares, polícia anti-motim e membros da milícia Bassij estavam espalhados por todo o lado e prontos a intervir. Uma testemunha ouvida pela AFP afirmou ter visto polícias a dar bastonadas em manifestantes que tentavam chegar à praça.
Foram ouvidos vários tiros, e um terá provocado um ferido. Nas ruas ouviam-se gritos como “Morte ao ditador!” e “Morte à ditadura!”.
Num gesto altamente simbólico, um bombista suicida fez-se explodir perto do santuário do fundador da República Islâmica, ayatollah Ruhollah Khomeini, em Teerão. A informação foi dada pelo responsável da polícia Hossein Sajedinia, adiantando que outras duas pessoas ficaram feridas no incidente que, de acordo com a agência Fars, ocorreu na ala norte do santuário.
A Reuters adianta que os apoiantes de Mousavi deitaram fogo a um edifício usado pelos defensores do Presidente.
Khamenei ordenou o fim das manifestações e deu explicitamente o seu apoio a Ahmadinejad. Ontem, o Presidente agradeceu “a boa decisão”.
O Supremo Líder responsabilizou os líderes da oposição por qualquer banho de sangue que pudesse ocorrer na capital. Ontem, o ministro do Interior reiterou o aviso a Mousavi, afirmando que ele pagaria as consequências de quaisquer reuniões ilegais.
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