Eleições Irão 2009: Irão acusa Reino Unido de complô contra as presidenciais


21.06.2009 – 10h52 Francisca Gorjão Henriques | in PUBLICO
A contestação interna no Irão está a dar origem a uma forte crise entre Teerão e vários países ocidentais. O Presidente Mahmoud Ahmadinejad avisou os EUA e o Reino Unido para não se “ingerirem” nos assuntos iranianos. Londres viu-se na obrigação de negar qualquer participação num “complô”, como acusou Teerão. E o correspondente da BBC recebeu ordens para deixar o país.
As autoridades têm imposto restrições aos media nacionais e internacionais que estão no país. Hoje, foram mais longe ao acusar o correspondente permanente da BBC em Terão, Jon Leyne, de ter “apoiado” os manifestantes, que há uma semana acusam o regime de ter organizado presidenciais fraudulentas, avança a agência Fars, próxima do Governo. Leyne terá 24 horas para deixar o Irão.
Depois de um dia de confrontos que fizeram pelo menos dez mortos em Teerão, o regime lançou hoje vários avisos para o Ocidente. “Foi com maus propósitos que vocês entraram no círculo de amigos da nação iraniana”, declara Ahmadinejad no seu site na Internet. “Por esta razão, exijo que parem com as vossas ingerências”.
Antes, o Governo acusara o Reino Unido de “há mais de dois anos fabricar um complô” contra as presidenciais de 12 de Junho, cuja legitimidade está a ser contestada diariamente com gigantescas manifestações. A acusação foi lançada pelo chefe da diplomacia iraniana, Manouchehr Mottaki, num encontro com diplomatas estrangeiros, citado pelo canal de língua inglesa Press TV.
“Registámos um fluxo [do Reino Unido] antes das eleições”, afirmou Mottaki. O ministro referiu ainda a presença de “’elementos’ ligados aos serviços secretos britânicos”. Londres “queria que ninguém votasse… era a linha dos media britânicos”.
O Governo de Gordon Brown negou “categoricamente” a acusação. “Rejeito categoricamente a ideia de que as manifestações no Irão são manipuladas ou incentivadas por países estrangeiros”, declarou o ministro dos Negócios Estrangeiros, David Miliband. “O Reino Unido é categórico sobre o facto que cabe ao povo iraniano escolher o seu governo, e às autoridades iranianas garantir a imparcialidade dos resultados e a protecção dos seus cidadãos”, adiantou. “Por consequência, repudio a violência incessante contra os que tentam exercer o seu direito de expressão”, cita a AFP.
Já na sexta-feira, o Supremo Líder apontava o dedo à Grã-Bretanha. “Diplomatas de países ocidentais que nos têm falado com uma linguagem diplomática mostraram o seu verdadeiro rosto, em primeiro lugar o Governo britânico”, acusou o ayatollah Ali Khamenei. Londres considerou as declarações do ayatollah “inaceitáveis” e convocou o encarregado de negócios iraniano.
O presidente do Parlamento afirmou hoje que as relações com a Grã-Bretanha, França e Alemanha devem ser reconsideradas, tendo em conta os seus comentários “vergonhosos” sobre as presidenciais. Ali Larijani dirigiu-se aos deputados iranianos para dizer que a comissão parlamentar dos Negócios Estrangeiros e da Segurança deveria colocar na sua agenda a reconsideração dos laços com os três países europeus”, cita a rádio oficial.
A chanceler alemã, Angela Merkel, emitiu hoje um comunicado particularmente forte. “Apelo com firmeza aos dirigentes iranianos… que façam uma nova contagem dos votos das presidenciais”, declarou. O regime deve “autorizar as manifestações pacíficas, não fazer uso da violência contra os manifestantes, libertar os opositores detidos e autorizar os media a cobrirem livremente” os acontecimentos, cita a AFP. “Os direitos humanos e civis devem ser inteiramente respeitados e isso é válido também para o Irão”.
Na terça-feira, o Presidente francês, Nicolas Sarkozy, denunciara uma “fraude ampla” no escrutínio de 12 de Junho.
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