Eleições Irão 2009: UE não aceita acusações de ingerência feitas pelo Irão


22.06.2009 – 21h53 Agências
in PUBLICO | Foto: Morteza Nikoubazl/REUTERSA presidência checa da União Europeia considerou “infundadas e inaceitáveis” as acusações de ingerência que lhe foram feitas pelo regime iraniano. Praga anunciou ter convocado o encarregado de negócios iraniano no país para lhe transmitir o repúdio pelas críticas de que foi alvo e convidou os restantes Estados-membros a seguirem-lhe o exemplo.
“A UE tem o direito de questionar se os critérios para uma eleição democrática e transparente são cumpridos em qualquer país”, lê-se num comunicado emitido esta tarde. O Governo checo criticou ainda “as tentativas para isolar a atitude de alguns [Estados-membros] face ao Irão, numa referência às acusações de ingerência feitas ao Reino Unido, mas também à Alemanha e França, três dos países mais críticos da resposta iraniana aos protestos.
Garantindo que os 27 estão “evidentemente unidos” face às acusações que lhes são feitas, a presidência da UE “convida os Estados-membros a ponderarem convocar os chefes das missões” nos respectivos territórios, para transmitir a Teerão a mesma mensagem que lhe foi enviada por Praga.
Como num pingue-pongue diplomático, a reacção do Governo checo ocorre um dia depois de os embaixadores europeus em Teerão terem sido convocados pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, que lhes transmitiu o seu desagrado com as críticas do Velho Continente à forma como o país tem lidado com os protestos.
Já o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, admitiu que existem “grandes dúvidas” sobre a forma como decorreu a reeleição do Presidente Mahmoud Ahmadinejad e disse ser favorável a uma recontagem total dos votos. “Apoiamos tudo aquilo que for feito no Irão para se restabelecer a confiança”, argumentou.
Por seu lado, o alto representante da UE para a Política Externa, Javier Solana, disse que não é ainda claro como estas divergências se vão reflectir nas negociações em curso sobre o programa nuclear iraniano – uma das razões que tem levado a Administração norte-americana a mostrar-se contida nos comentários aos desenvolvimentos em Teerão.
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