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Eleições Irão 2009: Opositores de Khamenei e Ahmadinejad preparam liderança alternativa

O ex-Presidente Rafsanjani estará a procurar alternativas ao líder supremo, Ali Khamenei, e a ao Presidente Ahmadinejad22.06.2009 – 22h48 Margarida Santos Lopes
in PUBLICO | Foto: Molly Riley/Reuters

O reconhecimento por parte do Conselho dos Guardiões de que se registaram irregularidades nas presidenciais iranianas do dia 12 não silenciou ontem os opositores de Mahmoud Ahmadinejad, que estarão a preparar greves (Mir-Hossein Mousavi), uma “cerimónia de luto” (Mehdi Karroubi) e uma “liderança colectiva alternativa” ao Supremo Líder (Ali Akbar Hashemi Rafsanjani).

O afastamento de Khamenei e de Ahmadinejad estará a ser discutido na cidade santa de Qom, em contactos secretos que envolvem o ayatollah Ali Akbar Hashemi Rafsanjani, o ex-Presidente Mohammad Khatami e Jawad al-Shahristani, representante do ayatollah Ali al-Sistani, a mais alta autoridade xiita no Iraque. Esta revelação foi feita pelo jornal Al-Arabyia, citando “fontes que pediram o anonimato”, horas depois de a filha mais velha e outros quatro familiares de Rafsanjani terem sido detidos (e logo libertados) por apoio à dissidência.

Estas detenções foram o sinal mais visível da fractura incurável entre os que, dentro do regime, querem abertura e os que querem isolamento.

Rafsanjani, 75 anos, um dos líderes mais poderosos da República Islâmica, preside à Assembleia de Peritos, a única instituição com competência para nomear e demitir o Supremo Líder. Dirige também o Conselho do Discernimento, que arbitra as disputas entre o Parlamento e o Conselho dos Guardiões.

Ontem, o jornal electrónico The Huffington Post dava conta de informações não confirmadas de que Rafsanjani planeia fazer um discurso após a oração de sexta-feira, para pedir a demissão de Ahmadinejad. Se o fizer, significa que conseguiu apoio suficiente entre os teólogos para imprimir um novo rumo ao sistema que ele ajudou a impor em 1979.

Enquanto Rafsanjani manobra na sombra, Mousavi e Karroubi, os candidatos derrotados do campo reformista, tentam manter as massas mobilizadas, apesar da repressão. Nas ruas de Teerão, cerca de mil manifestantes foram ontem dispersos por uns 500 agentes da polícia antimotim e da milícia Bassiji, armados com munições reais, bastões, cabos de aço e gás lacrimogéneo, informaram a AFP, a Reuters e a BBC.

Karroubi, o único mullah concorrente ao lugar de Ahmadinejad, voltou a exigir a anulação das eleições e convocou, para quinta-feira, uma “cerimónia de luto pelos mártires” — mais de 13 mortos numa semana. Mousavi planeia, aparentemente, uma série de greves, a começar nos sectores petroquímico (uma das maiores fontes de receita do país) e dos transportes.

UE defende-se

Num comunicado colocado no site do seu partido, Etemad Melli (Confiança Nacional), Karroubi revela a carta que enviou ao Conselho dos Guardiões: “Em vez de perderem tempo a recontar algumas urnas, cancelem os votos”. O máximo órgão legislativo admitiu ontem irregularidades “que afectarão uns três milhões de votos” mas não influenciarão o resultado (Ahmadinejad teve 24 milhões e Mousavi 13 milhões).

A carta de Karroubi, ex-presidente do Parlamento, adopta um tom invulgarmente duro: “Infelizmente, os que não podem tolerar a grandeza da atitude cívica e pacífica do povo procuram criar um clima de medo e insegurança, para impor a vontade da minoria sobre a maioria. Apelo à imediata libertação dos detidos [cerca de 400, números da televisão estatal], à entrega dos restos mortais dos mártires às famílias e ao fim da censura e pressões sobre os media.”

A União Europeia, através da presidência checa, considerou “infundadas e inaceitáveis” as acusações de ingerência, e recomendou aos Estados-membros que chamem os embaixadores iranianos em protesto. A Grã-Bretanha decidiu repatriar as famílias dos seus diplomatas, desaconselhando viagens à República Islâmica, tal como a Itália e a Alemanha.

A Casa Branca lamentou a “injustiça com que está a ser tratado o povo iraniano”, mas mais uma vez o Presidente, Barack Obama, recusou condenar o regime. O Departamento de Estado disse que se mantêm os convites para que diplomatas do Irão assistam, pela primeira vez em 30 anos, às celebrações do d nacional americano de 4 de Julho.

“Tomámos a decisão estratégica de abrir um diálogo com o Irão sobre uma série de questões. Tentámos o isolamento durante vários anos, vamos experimentar agora uma nova via”, sublinhou Ian Kelly, porta-voz em Washington.

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