Eleições no Irão 2009: libertados cinco dos nove funcionários da embaixada britânica

29.06.2009 – 09h01 PÚBLICO | in PUBLICO
As autoridades iranianas anunciaram ter libertado cinco dos nove funcionários da embaixada do Reino Unido em Teerão que foram detidos por alegada participação naquilo que o regime de Mahmoud Ahmadinejad descreve como “motins” pós-eleitorais.
Os demais funcionários britânicos permanecem sob interrogatório, precisou ainda o porta-voz do Ministério iraniano dos Negócios Estrangeiros, Hassan Qashqavi.
A detenção de oito funcionários da missão diplomática fora anunciada ontem pela agência noticiosa Fars, tendo então o ministro iraniano da Informação, Gholam Mohseni-Ejei, acusado expressamente a embaixada do Reino Unido de ter “desempenhado um papel importante” na crise política e social que o Irão enfrenta – a maior desde a Revolução Islâmica de 1979 – na sequência das eleições presidenciais de 12 de Junho passado.
Segundo Mohseni-Ejei, alguns dos trabalhadores da embaixada não só participaram nas manifestações da oposição, em protesto aos resultados que deram um segundo mandato ao ultraconservador Ahmadinejad, mas também incitaram a que estas continuassem mesmo depois de as autoridades iranianas as terem proibido.
Londres protestou veementemente contra aquelas detenções e o ministro britânico dos Negócios Estrangeiros, David Miliband, exigiu a libertação imediata daqueles funcionários diplomáticos, ao mesmo tempo que a União Europeia alertava que “a perseguição e intimidação de pessoal diplomático dos países europeus recebem resposta forte e colectiva” de todos os 27 países membros.
Mas Qashqavi manteve esta manhã a decisão do regime: “Não agimos assim de maneira emocional. Somos muito realistas e as nossas acções são tomadas com base em provas”, afirmou, reiterando a acusação de Teerão, repetida há mais de uma semana, de que os protestos contra a reeleição de Ahmadinejad são organizados pelo Ocidente, com o Reino Unido à cabeça.
Mais. Asseverando por outro lado que o Irão não pretende encerrar as embaixadas em Teerão nem tão pouco reduzir as relações diplomáticas com o Reino Unido ou qualquer outro país. Londres e Teerão já trocaram expulsões diplomáticas desde o escrutínio de há três semanas: pelo menos dois diplomatas de cada lado receberam ordem de partida dos respectivos países.
Mousavi reuniu com Conselho dos Guardiões
O candidato presidencial derrotado Mir-Hossein Mousavi – que tem liderado os protestos contra a recondução ao poder de Ahmadinejad – terá ainda ontem à noite reunido com membros do Conselho dos Guardiães, órgão legislativo de topo no Irão encarregue de supervisionar as eleições.
Na sequência deste encontro o antigo primeiro-ministro iraniano, um moderado – que tem vindo a exigir a anulação dos resultados eleitorais, alegando a ocorrência de fraudes – deverá hoje mesmo apresentar uma proposta de solução da presente crise, avançava a Fars, citando porta-voz dos Guardiães. Os resultados oficiais deram Mousavi em segundo lugar, atrás de Ahmadinejad a ganhar por 63 por cento dos votos.
Para já, foi noticiado esta manhã pela televisão estatal iraniana al-Alam, o Conselho iniciou tão só uma contagem parcial dos votos, e de não mais do que dez por cento dos boletins – algo que foi rejeitado por Mousavi como solução para um escrutínio que considera ter sido viciado. A recontagem está a ser feita em 22 distritos de Teerão e algumas zonas fora da capital e o “veredicto” final do Conselho dos Guardiões poderá ser conhecido ainda hoje.
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